Descoberta proteína que inibe a plasticidade do cérebro

Uma proteína que, acreditava-se, atuava apenas no sistema imunológico, pode ser a chave para a questão de como o cérebro altamente maleável da juventude passa à situação estável da vida adulta. Segundo artigo de pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard, publicado no serviço online Science Express, ratos adultos desprovidos da PirB têm cérebros que retêm a plasticidade de idades muito mais jovens, sugerindo que a proteína atua inibindo a plasticidade.Além disso, o cérebro de ratos jovens desprovidos da proteína eram ainda mais maleáveis que os cérebros normais de outros ratos imaturos. Juntos, esses resultados têm importância para o estudo e o reparto de danos no cérebro. "Nosso estudo dos ratos mutantes sem a função PirB revela que em todas as idades, mesmo durante períodos críticos quando os circuitos do cérebro têm a tendência de mudar, há mecanismos moleculares ativos que funcionam limitando a plasticidade" das conexões entre os neurônios, dis o principal autor do estudo, Josh Syken. Um modo de promover novas conexões em cérebros danificados poderia envolver a inibição da proteína. Segundo Syken, um mecanismo que inibe a maleabilidade das conexões dentro do cérebro é um alvo potencial para estabelecer conexões perdidas depois de dano à medula espinhal ou derrames.A plasticidade, definida como a capacidade dos circuitos do cérebro de mudar em resposta a atividade dos neurônios ligada à experiência, restringe-se, em grande parte, a fases críticas do desenvolvimento. Em um trabalho clássico, agraciado com um Prêmio Nobel, David Hubel e Torsten Weisel mostraram que as áreas do cérebro responsáveis pela visão reagem a estímulos do ambiente durante fases específicas do início da vida, e depois disso não mudam mais.

Agencia Estado,

17 de agosto de 2006 | 18h40

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