Descobertas da IBM chegam perto dos 'nanoarquivos'

Companhia manipula átomos para conseguir acumular mais informação em menos espaço

Reuters

31 Agosto 2007 | 18h50

Imagine carregar 30 mil longas-metragens em um aparelho do tamanho de um iPod.   Cientistas da IBM informaram nesta quinta-feira, 30, que estavam mais próximos de realizar esse feito, depois que descobriram como manipular átomos individuais de maneira que poderia permitir a criação de componentes básicos para dispositivos de armazenagem de dimensões ultra-reduzidas.   Compreender e manipular o comportamento dos átomos é crítico para a exploração prática do poder da nanotecnologia, que opera com partículas dezenas de milhares de vezes menores que a espessura de um cabelo.   "Uma das propriedades mais básicas que cada átomo oferece é o fato de que se comporta como um pequeno imã", disse Cyrus Hirjibehedin, cientista do Almaden Research Center, na IBM.   "Se você consegue manter a estabilidade dessa orientação magnética ao longo do tempo, é possível usá-los para armazenar informações. É dessa forma que um disco rígido de computador opera", disse Hirjibehedin em entrevista telefônica.   "O que estamos tentando fazer é compreender como essa propriedade fundamental funciona no caso de um átomo isolado", afirmou.   Hirjibehedin e seu colega Andreas Heinrich estudaram essa propriedade - conhecida como anisotropia magnética - em átomos individuais de ferro, usando um microscópio especial desenvolvido pela IBM.   "O que conseguimos fazer foi estudar um átomo de ferro em uma superfície de cobre e alterar sua orientação magnética", disse Heinrich.   Colegas dos dois no laboratório da IBM em Zurique, enquanto isso, descobriram por acaso uma forma de "ligar" e "desligar" moléculas, função básica essencial da lógica de computação.   Eles estavam avaliando a vibração de uma molécula quando descobriram que ela oferecia capacidades de comutação distintas.   Heinrich, que conhece o trabalho dos colegas suíços, afirmou que a descoberta era especialmente importante porque a ação de comutação não altera a estrutura da molécula.   Os comutadores em um chip operam como interruptores de luz, ligando e desligando o fluxo de elétrons que, em última análise, compõe os circuitos elétricos dos processadores.   Comutadores moleculares poderiam ser usados para armazenar informações e permitiriam a criação de chips super rápidos e de dimensões minúsculas.

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