Desempenho de escolas no campo é inferior à média

Pesquisa mostra que os alunos de escolas rurais têm nota 18% menor em matemática e 6% menor em português

Marta Salomon, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2011 | 00h00

Destino da coleção Escola Ativa e seus erros, as escolas da zona rural já apresentam desempenho inferior à média nacional. Uma pesquisa encomendada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) no ano passado apontou que o desempenho em matemática era 18% inferior à média; em português, 6% abaixo da média.

Junto com o baixo desempenho, a pesquisa também encontrou condições precárias nas escolas do campo: a maioria dispõe apenas de quadro negro e giz como recurso pedagógico. Computadores, por exemplo, inexistem em 66% das escolas da amostra pesquisada.

O MEC reconhece que a educação no campo é um problema. Os professores têm qualificação menor e salários inferiores aos da área urbana.

Dos 311 mil profissionais nas escolas do campo, no ensino fundamental e médio, a maioria (57,1%) não tem formação superior. A situação é mais complicada nas Regiões Norte e Nordeste do País.

Idade. É no descompasso entre idade e série que a educação no campo mostra seu aspecto mais frágil. Nos primeiros anos do ensino fundamental, 38,9% dos alunos não estão na série correspondente às suas idades. Nos anos finais do ensino fundamental, a distorção alcança 51% das crianças que se mantêm nas escolas. A distorção no ensino médio chega a 55,8% dos que chegam a essa etapa.

De acordo com o estudo do MEC, 23,3% da população de 15 anos ou mais era analfabeta. "Ressalta-se que a taxa de analfabetismo mensurada não inclui os analfabetos funcionais, o que aumentaria esse índice", avalia o ministério.

Baixa escolaridade. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que o número médio de anos de estudo da população de 15 anos ou mais que vive no campo não atingiu a escolaridade obrigatória. Essa média é de 4,5 anos, contra 7,8 anos de escolaridade registrados nas cidades.

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