Desemprego cai. Emprego formal, também

Pesquisa do IBGE mostra recuo de 7,5% na desocupação em outubro; formalidade teve 1.ª queda em cinco anos

Jacqueline Farid, RIO, O Estadao de S.Paulo

27 de novembro de 2009 | 00h00

O desemprego prosseguiu em declínio em outubro, mas o número de vagas com registro em carteira também foi menor. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 7,5% em outubro, ante 7,7% em setembro. O número de empregos com carteira assinada, porém, caiu 0,3% ante outubro de 2008, no primeiro sinal negativo em mais de cinco anos.

Para o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo, o mercado de trabalho metropolitano "está parado" e o recuo nas vagas formais mostra a perda de qualidade do emprego". Desde fevereiro de 2004, não era apurada uma queda nesse indicador.

Azeredo ressaltou que, apesar dessa forte desaceleração nos dados do trabalho com carteira em outubro, o porcentual de trabalhadores formais no total de ocupados ainda é maior (44,9%) na média dos 10 meses (janeiro a outubro) deste ano do que em igual período do ano passado (44,4%) e é também o maior da série histórica desde o início da pesquisa, em 2002.

Ele considera que o mercado de trabalho metropolitano não mostrou nenhuma alteração significativa em outubro em relação a setembro ou a igual período do ano passado. "A desocupação está estável, não houve mudança na taxa de um mês para o outro."

O gerente destacou também o que considera variações muito pequenas - que, segundo ele, revelam estabilidade - no número de ocupados e desocupados . "O mercado está parado em termos de desocupação e ocupação. O ano está muito parecido com o ano passado, a crise retirou a força de arrancada que havia em 2008, que poderia levar a uma taxa de desemprego menor em 2009."

Para Azeredo, "há uma desaceleração do mercado de trabalho com a crise, mas não houve retrocesso. Mas, se não houvesse a crise, a expectativa é de que a taxa teria caído mais".

O número de ocupados somou 21,5 milhões nas seis regiões e registrou variação negativa de 0,1% em outubro em relação a setembro. Já o número de desocupados atingiu 1,75 milhão e caiu 2,5% ante setembro.

Os analistas da Tendências Consultoria Bernardo Wjuniski e Ariadne Vitoriano avaliam, em relatório, que o mercado de trabalho "ainda não respondeu de forma significativa à recuperação da atividade".

A percepção é que há uma melhora nos últimos meses e "é possível que nos próximos meses a ocupação apresente retomada mais expressiva, acompanhando a recuperação do cenário".

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