Desemprego no Brasil sobe a 5,6% em fevereiro, renda aumenta

O desemprego brasileiro aumentou pelo segundo mês seguido em fevereiro, mas ainda registrou o menor nível para o mês desde o início da séria em março de 2002, ao mesmo tempo em que o rendimento médio do trabalhador aumentou.

RODRIGO VIGA GAIER E CAMILA MOREIRA, Reuters

28 de março de 2013 | 14h50

De acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego avançou para 5,6 por cento ante 5,4 por cento em janeiro, depois de ter atingido em dezembro o menor nível histórico de 4,6 por cento.

O resultado ficou ligeiramente abaixo da mediana das previsões de 21 analistas ouvidos pela Reuters, que era de 5,7 por cento. As estimativas variaram entre 5,5 e 6,0 por cento.

A taxa de desemprego normalmente sobe no início do ano, com temporários buscando nova ocupação, e o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, destacou ainda a influência do cenário econômico fraco para o resultado.

"O mercado está menos favorável a gerar postos de trabalho e reduzir a desocupação e, consequentemente, a reduzir a taxa de desemprego", disse ele.

A população ocupada recuou 0,7 por cento em fevereiro na comparação com janeiro e cresceu 1,6 por cento ante o mesmo período do ano anterior, totalizando 22,974 milhões de pessoas nas seis regiões metropolitanas avaliadas.

Por sua vez a população desocupada chegou a 1,356 milhão de pessoas em fevereiro, alta de 1,9 por cento ante janeiro, e queda de 1,6 por cento sobre um ano antes. Os desocupados incluem tanto os empregados temporários dispensados quanto desempregados em busca de uma chance no mercado de trabalho.

Azeredo destacou, que muitas pessoas que foram dispensadas ou que estavam buscando trabalho e não tiveram sucesso migraram para a inatividade, ou seja, não estão trabalhando e nem procurando trabalho. A inatividade em fevereiro cresceu 1 por cento, o equivalente a 182 mil pessoas.

"O pessoal foi para inatividade dado que há indecisão de quem saiu do emprego temporário. Mas acho que não dá para dizer que é um primeiro sinal de desalento. O primeiro trimestre é realmente mais difícil", completou ele.

RENDIMENTO E INFLAÇÃO

O IBGE informou ainda que o rendimento médio da população ocupada atingiu 1.849,50 reais, uma alta de 1,2 por cento sobre janeiro e de 2,4 por cento sobre fevereiro de 2012, maior nível da série histórica.

Para economistas, embora os números do IBGE sejam positivos para o mercado de trabalho, eles também são um fator de preocupação num momento de pressão inflacionária.

"O mercado de trabalho ainda é forte, e só reforça a ideia de que as pressões inflacionárias, sem um uma mudança na política monetária, não terão uma melhora imediata", disse o economista sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano.

Mas ainda que o aumento da renda seja preocupante no curto prazo, os números apontam para um acomodação do mercado de trabalho, destacou o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

"As quedas das taxas para fevereiro anteriores foram mais abruptas. Com a ideia de o emprego estar se acomodando, isso sugere que o mercado de trabalho pode ajudar um pouco mais no sentido de não haver pressão do lado de serviços. Não consigo imaginar o salário subindo muito mais", disse ele.

Em fevereiro, o mercado de trabalho formal mostrou recuperação ao criar 123.446 novos postos por conta do bom desempenho do setor de serviços, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), melhor do que o esperado pelo mercado.

(Reportagem adicional de Asher Levine em São Paulo)

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