Desenrolar instável Cinema

Moura e Mariana: filho sumido

O Estado de S.Paulo

15 de março de 2013 | 02h14

Law e Keira: casal perdido

O romance de Léon Tolstoi sobre a decadência social de uma aristocrata casada que se envolve em um caso extraconjugal com um jovem conde, publicado em 1877, já ganhou pelo menos seis versões para o cinema. A mais recente, Anna Karenina, de Joe Wright, chega às telas como um enorme espetáculo teatral. Há cenas externas, principalmente no campo, mas a maior parte do filme se passa em um teatro - um ambiente fechado e pouco receptivo, como a elite russa do século 19.

O filme venceu o Oscar de melhor figurino e chama atenção pela direção de arte do irlandês Seamus McGarvey. No entanto, o elenco irregular prejudica o desenrolar do filme. Junto com alguns outros coadjuvantes, Jude Law destoa positivamente como o marido traído. Já Keira Knightley (Anna) e Aaron Taylor-Johnson (o conde) têm desenvoltura limitada para seus papéis.

Wright adaptou 'Orgulho e Preconceito', de Jane Austen, em 2005, e 'Reparação', de Ian McEwan, em 2007, (que chegou aos cinemas com o título de 'Desejo e Reparação'), ambos protagonizados por Keira. Apesar da ousadia estética, falta a 'Karenina' a regularidade desses outros filmes. Ramon Vitral

A Busca começa como um drama familiar: um casal recém-divorciado encara suas angústias e a tensão do filho adolescente. Vira um thriller, quando o garoto some após mentir para os pais sobre uma viagem com amigos. E, por fim, torna-se um road movie.

Diretor de filmes publicitários, de episódios de séries (dois de 'Filhos do Carnaval' e outro de 'Antônia'), e de um curta (em 1992), Luciano Moura estreia agora no comando de um longa-metragem com Wagner Moura como protagonista. Enquanto a mãe, interpretada por Mariana Lima, aguarda por notícias em casa, Theo, o pai, segue na estrada as pistas de Pedro, o filho.

Além do desfecho óbvio - é difícil aceitar que Theo não tenha cogitado o destino do menino -, a maioria dos personagens apresentados durante o enredo pouco acrescenta ao cenário de transformação familiar do roteiro.

E a bela fotografia e as locações muito bem escolhidas (que ajudaram o público a conceder o prêmio de Melhor Filme de Ficção no Festival do Rio no ano passado) não evitam que a definição tardia de gênero e as soluções fáceis da narrativa resultem em um filme apenas potencialmente bom. RV

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.