''Desfruto a sensação de liberdade''

Melhor atriz em Brasília por É Proibido Fumar, Glória Pires fala da vida em Paris

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

02 Dezembro 2009 | 00h00

Glória Pires tem participado de uma verdadeira maratona, promovendo os filmes É Proibido Fumar e Lula, O Filho do Brasil. Mãe da atriz Cléo Pires - que também está em Lula -, ela reside atualmente em Paris com o marido, o músico Orlando Morais. Ele ganhou uma bolsa residência do governo francês. Moram no "8ème" (o oitavo "arrondissement" da capital francesa). Os filhos Antônia, Ana e Bento estudam, e a própria Glória tem feito cursos. De quê? "Ah, de tudo. Gramática, conversação. São cursos de curta duração e a gente pode escolher vários temas." Longe do assédio da imprensa e dos fãs, ela leva na França o que define como "vida comum".

Como é morar em Paris?

Ando pelas ruas, de metrô, desfruto a sensação de liberdade. Me sinto segura, sem me preocupar com o relógio nem com a carteira. E, às vezes, ocorre de alguém do antigo Leste Europeu me encarar. As novelas da Globo passam lá e sempre uma ou outra pessoa me reconhece.

Foi uma surpresa o prêmio em Brasília?

Ah, foi. Muita gente já vinha comentando, mas a gente nunca sabe como o júri vai reagir. A verdade é que quis muito fazer o filme da Anna (Muylaert), É Proibido Fumar. Fiquei impressionada com o talento do Paulo (o titã Paulo Miklos). Era algo que realmente não conhecia.

Como ex-fumante, foi complicado fazer a personagem Baby?

Filmava com Daniel (Filho), O Primo Basílio, quando lhe disse que ia fazer o filme da Anna. Estava a fim, mas também preocupada. Sou ex-fumante, já tive uma recaída. Daniel me falou num artifício, um cigarro especial, sem química e que não vicia. Tenho 46 anos, comecei a fumar aos 12, fui até os 22, parei por oito anos, voltei e agora é definitivo. Não podia brincar de fumar e correr o risco de nova recaída. Mas também não podia deixar de tragar, pois quem fuma ia perceber e isso poderia prejudicar a credibilidade.

Baby é uma professora de música que se envolve com o vizinho. Na sua avaliação, qual a riqueza dessa personagem?

É uma personagem boa de fazer. Tem camadas. Para de fumar por amor e, quando recomeça, é horrível - por experiência própria, digo que o ex-fumante, ao voltar, fuma obsessivamente, como se tivesse de recuperar o tempo perdido. O filme trata de culpa e a relação que ela estabelece com o Paulo (Miklos) é complexa. Embora possa ser considerado sombrio, o tema é tratado com leveza. Foi um filme gostoso de fazer.

E a dona Lindu?

Quando o Fábio (Barreto) me propôs o papel, eu não sabia por que ele queria tanto contar a história. Quando li o roteiro, entendi. Lula representa a força e a resistência do brasileiro comum. Dona Lindu é uma guerreira. É diferente da Baby, que é de classe média, Dona Lindu é retirante, enfrenta o marido, carrega a família. O filme não é chapa branca. É verdadeiro. Coroa meu trabalho com o Fábio. Tenho um xodó por Índia, que foi nosso primeiro filme juntos. Éramos ambos jovens, querendo acertar. O Quatrilho me deu muitas alegrias, mas Lula é especial.

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