Designer coloca conflitos do Rio em versão do jogo War

Os violentos confrontos entre policiais e traficantes nas favelas do Rio inspiraram o designer Fabio Lopez a criar uma paródia do famoso jogo War, da Grow. Anunciado como uma "piada de mau gosto" pelo próprio criador, o War in Rio tem, no lugar dos continentes a serem conquistados, as zonas norte, sul, oeste e o centro do Rio, além da Baixada Fluminense, e algumas de suas respectivas favelas. Os exércitos são o Batalhão de Operações Especiais (Bope), a Polícia militar (PM) - a "polícia convencional" do filme Tropa de Elite -, a milícia - grupos de policiais e bombeiros que cobram dinheiro de moradores de comunidades pobres em troca de segurança e outros serviços -, e três facções criminosas: Comando Vermelho, Amigos dos Amigos e Terceiro Comando. "Não é só uma brincadeira", esclarece Lopez, carioca de 29 anos que já esteve em meio a tiroteios, já viu cadáver na rua e escuta tiros de seu apartamento em Botafogo, na zona sul. "A guerra não é declarada, mas vivemos em meio a armas de guerra, feridos de guerra, terrorismo urbano. São relatos que a gente encontra no dia-a-dia do Rio. Cada profissional tem que expressar o que sente de sua maneira, e essa é a minha. Se eu escrevesse só um texto sobre a violência, as pessoas não dariam importância."As peças do jogo original (os dados e os soldadinhos e tanques de plástico de seis cores diferentes) foram usadas no War in Rio. O tabuleiro, que inclui favelas como Mangueira, Cantagalo e Cidade de Deus, e as cartas foram confeccionados por ele num mês - Lopez contou com a ajuda do Google Maps para montar o mapa do Estado. "Não quero que as pessoas achem que estou fazendo chacota da situação. Se eu vender, desautorizo o discurso", afirma o designer.

ROBERTA PENNAFORT, Agencia Estado

29 de novembro de 2007 | 20h38

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