Desmatamento na Amazônia caiu 82%, segundo Imazon

Segundo organização não-governamental, devastação pode manter queda com ações e crise econômica

Agência Brasil e Reuters

23 Janeiro 2009 | 11h00

O desmatamento na Amazônia entre agosto e dezembro de 2008 caiu 82% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, 23, pela organização não-governamental Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O monitoramento registrou 635 quilômetros quadrados de desmate entre os meses pesquisados, contra 3.433 quilômetros quadrados no mesmo intervalo em 2007.       Veja também:  Graficos: A evolução do desmatamento na Amazônia Plano federal prevê queda de 70% no desmatamento até 2018  Segundo o  pesquisador do Imazon,  Adalberto Veríssimo, o impacto de medidas de combate ao desmatamento da Amazônia Legal anunciadas no ano passado e a atual crise econômica podem levar o nível de destruição da floresta a uma mínima histórica, embora isso ainda não seja suficiente para se chegar a níveis de devastação "administráveis". Veríssimo, que coordena o programa Transparência Florestal do Imazon, prevê a manutenção da tendência de queda no desmatamento, registrada desde meados do ano passado. "É uma combinação (entre crise e ações ambientais) que sugere que esse desmatamento deve se manter nos próximos meses em taxas baixas", disse Veríssimo. "Se a taxa de desmatamento se mantiver nesse ritmo, o Brasil pode ter o menor desmatamento da história, abaixo de 10 mil quilômetros quadrados (de agosto de 2008 a julho de 2009)". Os efeitos da crise mundial têm sido sentidos nos setores agropecuário e madeireiro do país, frequentemente apontados como principais vilões do desmatamento da Amazônia. Depois de registrar sucessivas quedas no desmatamento - de pouco mais de 27 mil quilômetros quadrados em 2003/2004 para cerca de 11.500 quilômetros quadrados em 2006/2007 - o ciclo de queda foi interrompido, segundo dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), se aproximando dos 12 mil quilômetros quadrados em 2007/2008. Um aumento significativo na destruição da Amazônia registrado no fim de 2007, levou o governo a adotar medidas mais duras de combate à destruição florestal, como maior rigor na fiscalização e restrições ao financiamento a infratores ambientais. Ainda no fim de 2008, ao anunciar o Plano Nacional sobre Mudanças do Clima, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que o país perseguirá uma meta de redução significativa do desmatamento, da ordem de 70% até 2018. Agênda EconômicaApesar da tendência de queda, Veríssimo considera o desmatamento da floresta ainda bastante elevado. "Temos que buscar o desmatamento zero, mas uma taxa administrável seria 2 mil ou 3 mil quilômetros quadrados anuais", disse. "Uma taxa como a que temos tido, superior a 10 mil (quilômetros quadrados), é uma infecção generalizada", comparou. Para se chegar a esse desmatamento apontado como "administrável", o pesquisador afirma que o governo federal precisa "manter a guarda" e não recuar de medidas como aumento da fiscalização e restrições ao financiamento a infratores ambientais. "O que o governo não fez ainda foi criar uma agenda econômica positiva para a Amazônia. Criar uma economia que seja alternativa ao desmatamento", afirmou. "Mas isso ainda não está no coração da (ministra-chefe da Casa Civil) Dilma (Rousseff), do (presidente) Lula e nem da área econômica (do governo)", lamentou.

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