Desmate rende multa de R$ 58 mi em MT

Desmatamento ilegal ocorreu em áreas de regeneração para plantação de soja

FÁTIMA LESSA, ESPECIAL PARA O ESTADO / CUIABÁ, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2012 | 03h05

Em dois meses, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou multas que totalizam R$ 58 milhões por desmatamento de áreas de floresta em regeneração para plantação de soja em Mato Grosso. Desse total, R$ 3,5 milhões foram por quebra de embargo. Ontem, o Estado mostrou que o abate de árvores em Mato Grosso dobrou de agosto de 2011 a março deste ano.

As multas são resultado da operação Verdes Veredas, que começou no início de fevereiro com objetivo de fiscalizar o cumprimento das sanções e embargos feitos em 2011. De janeiro a maio de 2011 haviam sido aplicadas multas num total de R$ 100 milhões e realizados dez autos de infração, que somaram R$ 11,9 milhões.

Em fevereiro e março deste ano, 3 mil hectares de florestas desmatadas ilegalmente foram embargadas (o que equivale a cerca de 3 mil campos de futebol). Além disso, o Ibama apreendeu 30 tratores, 7 caminhões e motosserras. Das 20 propriedades vistoriadas, 8 descumpriram embargos e acabaram multadas, segundos os fiscais.

Para o chefe da Divisão de Fiscalização do Ibama em Sinop, Werikson Trigueiro, os dados comprovam que os autuados jamais pretenderam respeitar o embargo federal.

A operação Verdes Veredas combate o desmatamento ilegal na Amazônia, na fronteira agrícola de Mato Grosso, região líder em desflorestamento no País. O cultivo de soja em áreas desmatadas é um dos principais vetores da destruição da floresta.

Reincidente. Em uma única fazenda, o órgão apreendeu, em março, 21 máquinas pesadas - entre plantadeiras, colheitadeiras, pulverizadores, tratores e caminhões - e ocupou uma plantação de soja ilegal de cerca de 1,8 mil hectares. A fazenda, que fica em Santa Carmen, a 35 quilômetros de Sinop (norte de MT), tem 4,2 mil hectares e havia sido embargada em março de 2011.

Segundo a assessoria do órgão, com apoio de um helicóptero, os agentes ambientais chegaram à fazenda e flagraram o maquinário em plena atividade. O dono da propriedade ainda semeava milho na área proibida tão logo colhia a soja pirata.

"Isso demonstra que ele jamais pretendeu respeitar o meio ambiente e o embargo federal", disse Trigueiro.

De acordo com os fiscais, o dono da fazenda, que é reincidente, foi novamente autuado em R$ 100 mil por descumprir o embargo do Ibama. Os fiscais ainda multaram o fazendeiro em R$ 9,3 milhões pela atividade agrícola proibida ter impedido a regeneração natural da floresta e em mais R$ 100 mil pelas irregularidades flagradas na destinação dos agrotóxicos usados na propriedade.

A fazenda está localizada em uma área de floresta amazônica e já recebeu diversas autuações por descumprir a legislação de proteção ao meio ambiente.

Na primeira vez, o proprietário foi multado pela Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso por ter aberto a fazenda, em 2004, realizando desmatamentos ilegais.

Em março de 2011, foi autuado pela primeira vez pelo Ibama, em R$ 3,5 milhões, por ter desmatado 706 hectares de floresta em regeneração, usando os "correntões" (tratores com correntes que derrubam grande quantidade de árvores de uma vez). Depois, a fazenda foi embargada por não ter licença ambiental para atividade agrícola.

Dois meses depois já descumpria o embargo e foi autuada em mais R$ 100 mil pela infração.

Soja. Outro caso envolve uma fazenda em Nova Ubiratã, também na região de Sinop. Os fiscais apreenderam 20 mil sacas de soja. A plantação estava em área embargada em 2009.

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