Di Grassi faz parte de um grupo de superinteligentes

Piloto brasileiro que vai estrear na F-1 em 2010 integra a Mensa, entidade fundada na Inglaterra em 1946

, O Estadao de S.Paulo

13 Dezembro 2009 | 00h00

Lucas Di Grassi, o mais novo piloto brasileiro da Fórmula 1, escolheu seguir carreira no automobilismo, apesar de uma particularidade revelada por seu pai que poderia tê-lo levado a um outro destino. "Lucas não gosta muito de falar no assunto, mas ele faz parte de um grupo chamado Mensa, que reúne jovens que possuem inteligência acima da média da população."

A Mensa foi fundada em 1946 na Inglaterra e hoje conta com quase 100 mil integrantes em mais de 100 países. A idéia original era criar um grupo que teria entre seus principais objetivos fomentar a inteligência e promover o convívio de pessoas intelectualmente estimulantes. No Brasil conta com cerca de 300 membros. A única exigência para a filiação é ter um QI na faixa de 2% superiores da população, comprovado por testes aplicados pela própria Mensa, ou reconhecidos por ela.

Integrado a essa comunidade, Di Grassi, que vai estrear na F-1 em 2010 pela Virgin Racing, poderia ter seguido outros rumos, como as ciências ou as finanças. No entanto escolheu um ramo bem mais árido. O piloto, por exemplo, relata momentos difíceis que teve de superar em sua trajetória até a F-1, em especial, sua convivência com Flavio Briatore, ex-manager da Renault, equipe na qual era o terceiro piloto. O italiano está afastado pela FIA por causa do escândalo envolvendo o brasileiro Nelsinho Piquet.

"O Flavio tem os méritos dele. Foi campeão mundial dois anos na Renault, ninguém pode tirar dele o mérito de bom chefe de equipe", pondera. "O que provavelmente aconteceu é que nos últimos anos ele talvez tenha mudado um pouco o foco, talvez por trabalhar com o futebol... Já não estaria tão motivado na F-1 como no começo."

Apesar de reconhecer qualidades do ex-chefe, admite: "Era bem difícil trabalhar com o Flavio. Se você não aguenta a pressão, não dá para trabalhar com ele." Di Grassi afirma que vivia permanentemente sob a ameaça de demissão e, como disse Nelsinho Piquet na época do "crashgate", as cobranças aconteciam em momentos inusitados. "Uma vez, em fevereiro de 2004, fizeram uma reunião cinco minutos antes da corrida com os cinco pilotos da equipe. Ele simplesmente chegou e disse que dos cinco, três seriam demitidos no final do ano."

O piloto descreve a rotina no automobilismo sob a tutela do italiano "como se tivesse de bater pênalti toda corrida". "Apesar de ser totalmente contra isso, que me causou tantos problemas, por outro lado moldou bastante meu caráter."

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