Dia da Consciência Negra tem protestos no Rio

Cerca de 500 pessoas fizeram uma passeata nesta quinta-feira, 20, nas praias de Ipanema e Leblon para marcar o Dia da Consciência Negra. O ato foi convocado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e reuniu integrantes de outros grupos, para os quais a data tem que ser usada para desmentir a premissa de que o Brasil vive uma democracia racial.

ROBERTA PENNAFORT, Estadão Conteúdo

20 Novembro 2014 | 17h00

"É importante estarmos aqui depois de termos visto o ódio, o racismo e o preconceito que pontuaram o período eleitoral. Estamos na praia, num bairro nobre, mas de frente para a favela do Vidigal e perto dos morros do Pavão e do Cantagalo", disse o servidor público Luiz Claudio Moreira, de 40 anos.

"Os negros e pobres estão cada vez mais afastados da cidade, jogados nas periferias. É uma falsa democracia racial", defendeu o estudante Vitor Mariano, de 30 anos, do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, que critica as remoções que precedem as obras preparatórias para os grandes eventos esportivos.

Sob o sol forte do meio-dia, a passeata começou no posto 9, em Ipanema, e seguiu em direção ao Leblon. Uma parte dos manifestantes era da ocupação Zumbi dos Palmares, do MTST, no município de São Gonçalo, no Grande Rio, distante cerca de 40 quilômetros, e foi em ônibus fretados. O ato foi batizado de "Leblon vai virar Palmares" e foi divulgado pelo Facebook.

Levando faixas alusivas à violência contra negros, o grupo batucou e gritou palavras de ordem contra o racismo e as desigualdades sociais. No Leblon, deixou a pista dos carros, fechada ao trânsito por conta do feriado, e caminhou pelas areias. Policiais militares e guardas municipais acompanharam, e não houve atritos.

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