Dia da Consciência Negra tem shows e críticas ao preconceito

Evento da Prefeitura levou sambistas ao Vale do Anhangabaú, que foi tomado por famílias e grupos de amigos

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2015 | 00h35

Com frequência, o estudante Timóteo de Almeida, de 22 anos, diz que estende o braço na rua para chamar um táxi e o motorista não para. “Dou o sinal e eles olham te diminuindo, como se você fosse um marginal”, relata o jovem, que participou ontem dos shows do Dia da Consciência Negra, no Vale do Anhangabaú, na região central de São Paulo.

Com a irmã e as duas primas, Almeida saiu de Barueri, na região metropolitana, para assistir ao show de Jorge Aragão.

A previsão de chuva não se concretizou e o dia se manteve fresco para os participantes do evento. O Vale do Anhangabaú foi tomado por casais, crianças e amigos que sambaram bastante durante a festa. A Prefeitura de São Paulo e a Polícia Militar não divulgaram estimativa de público.

O lojista Jonatas Gabriel Batista, de 21 anos, morador de Guaianases, zona leste, levou o filho de quatro meses, Kedrick, para curtir os shows enquanto a mulher trabalhava. Questionado por que celebrar a data com o pequeno, o lojista respondeu: “É o nosso dia, né? Meu e dele. Ele só tem quatro meses, mas gosta de bagunça. E trazendo para o centro ele já se liga qual é a do movimento negro.”

Batista também relata que, além de taxistas não pararem para ele na rua, outro preconceito que sofre é nas lojas onde trabalha. “Tem cliente que não quer ser atendido por negro.”

O estoquista Leandro da Silva, de 35 anos, marcou presença na festa acompanhado, pela primeira vez, da filha Letícia, de três anos. Ele estima que já esteve em shows comemorativos do Dia da Consciência Negra pelo menos cinco vezes. Silva estava desde as 16 horas aguardando os últimos shows do dia, do sambista Arlindo Cruz e da Escola de Samba Vai-Vai. “Este é um dia para as pessoas se conscientizarem e procurarem se valorizar mais”, diz.

A arte educadora Daniele Márcia Lima, de 20 anos, aproveitou o evento para vender brigadeiros. “Tem tudo a ver, né? Uma mulher negra empoderada em um evento como esse”, disse a moradora de Cidade Patriarca, na zona leste. Para Daniele, o mais importante da data é a presença da periferia no centro. “É a invasão da ‘quebrada’. Um dia de grito.”

O evento contou com a presença do secretário da Igualdade Racial, Maurício Pestana, e da filha de Malcolm X, a ativista de direitos humanos Malikah Shabazz. Ela participou da Semana da Consciência Negra.

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