'Dia da Ira' no Egito termina com 3 mortos

Milhares de egípcios exigiram na terça-feira o fim do governo do presidente Hosni Mubarak, no poder há 30 anos, e três pessoas foram mortas em inéditos protestos nacionais no Egito, inspirados na revolta que derrubou o governo na Tunísia.

MARWA AWAD E DINA ZAYED, REUTERS

25 de janeiro de 2011 | 20h59

"Abaixo, abaixo Hosni Mubarak," gritaram os manifestantes em frente a um complexo judicial no centro da capital.

A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos de água contra a multidão, que atirou garrafas e pedras nos agentes.

Dois manifestantes na cidade de Suez, a leste de Cairo, morreram após serem atingidos por balas de borracha, segundo fontes médicas e de segurança. A TV estatal disse que um agente de segurança morreu no centro de Cairo após ser apedrejado na cabeça.

Alguns manifestantes foram agredidos por policiais a golpes de cassetete. Outros, numa rara demonstração de coragem contra uma enorme operação nacional de segurança, perseguiram policiais por ruelas da capital. A Reuters TV mostrou um policial aderindo às manifestações.

Em Alexandria (norte), os manifestantes viraram um veículo policial e rasgaram uma foto de Mubarak, de 82 anos, e um de seus filhos, Gamal, que muitos egípcios acreditam estar sendo preparado para suceder o presidente. Mubarak e seu filho negam isso.

"Gamal, avise o seu pai que os egípcios te odeiam," gritavam os manifestantes no Cairo, que foram mobilizados pela Internet.

O analista Nabil Abdel-Fattah disse que "o que está acontecendo hoje é um grande alerta ao sistema." "É tanto uma extensão das frustrações armazenadas quanto de protestos continuados. A novidade é que há novas gerações usando novas ferramentas."

Ele disse que os protestos podem ganhar impulso se o Estado não atender imediatamente às exigências por reformas.

Sites como Facebook e Twitter foram importantes na convocação dos protestos. O serviço de monitoramento da Internet Herdict, da Universidade Harvard, disse ter recebido de internautas egípcios a informação de que o Twitter estaria bloqueado no país.

Os egípcios se queixam dos mesmos problemas que levaram à rebelião deste mês na Tunísia: alta nos preços de alimentos, pobreza, desemprego e a repressão política. Nos protestos de terça-feira no Egito, muitas gritavam o nome "Tunísia."

Os Estados Unidos, aliados de Mubarak e importantes fornecedores de ajuda para o Egito, pediram moderação de todas as partes.

"Nossa avaliação é que o governo egípcio é estável e busca formas de responder às necessidades e interesses legítimos do povo egípcio," disse a secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, a jornalistas em Washington.

Os protestos no Cairo e em outras cidades reuniram pelo menos 20 mil pessoas, segundo testemunhas. Uma nota do Ministério do Interior disse que mais de 10 mil manifestantes estiveram só em uma praça do Cairo, mas não citou uma cifra mais geral. É difícil estimar um número preciso, porque os protestos foram espalhados e a imprensa estatal fez menções apenas superficiais aos fatos.

(Reportagem adicional de Sarah Mikhail, Alexander Dziadosz, Mohamed Abdellah e Patrick Werr, no Cairo; Sherine El Madany, no Delta do Nilo; Yusri Mohamed, em Ismailia, e Arshad Mohamed, em Washington)

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