'Dia de Ira' na Tunísia tem como alvo o primeiro-ministro

Dezenas de milhares de pessoas lotaram as ruas do centro de Túnis na sexta-feira em um chamado "Dia de Ira" promovido para pedir a renúncia do primeiro-ministro Mohamed Ghannouchi, ex-aliado do presidente deposto.

TAREK AMARA, REUTERS

25 de fevereiro de 2011 | 14h46

De acordo com testemunhas, a manifestação parece ter sido a maior desde que os levantes no país mais desenvolvido do norte da África puseram fim aos 23 anos de governo do presidente Zine al-Abidine Ben Ali, em 14 de janeiro, desencadeando protestos pró-democracia em boa parte do mundo árabe.

Manifestantes, alguns carregando imagens do rosto de Ghannouchi fundindo-se com o de Ben Ali, gritavam "governo vergonhoso!" e "Ghannouchi, renuncie!".

"Nossa única reivindicação é o fim deste governo", disse a estudante Alia Soussi, de 22 anos. "Esperamos que Ghannouchi entenda a mensagem."

O governo interino encarregado de organizar eleições para encontrar um substituto para Ben Ali já passou por várias mudanças após protestos de rua, mas Ghannouchi, visto por alguns como trunfo positivo devido a sua familiaridade com os assuntos do país, permaneceu.

Ele foi primeiro-ministro por mais de uma década sob o governo de Ben Ali, que os tunisianos viram como sendo opressor e corrupto.

Na manhã da sexta-feira, manifestantes protestaram em Túnis contra a repressão violenta empreendida pelo líder líbio Muammar Gaddafi contra um levante inspirado pelas revoltas na Tunísia e no Egito. Helicópteros militares sobrevoaram a multidão, enquanto forças de segurança observaram a multidão crescente formada em desafio à proibição imposta pelo governo a manifestações desde a derrubada de Ben Ali, em 14 de janeiro.

Na Líbia, partidários de Gaddafi já mataram dezenas de manifestantes, e milhares de pessoas, incluindo grande número de egípcios, vem atravessando a fronteira da Tunísia para escapar da violência.

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