Dias tórridos serão mais freqüentes no Mediterrâneo

Estudo diz que os dias mais quentes de hoje poderão corresponder aos mais amenos do futuro

Agencia Estado

20 de junho de 2007 | 18h52

As ondas de calor letais na região do Mediterrâneo, como as que mataram cerca de 18 mil pessoas em 2003, podem se tornar corriqueiras neste século, se as tendências atuais de emissão dos gases do efeito estufa não sofrerem alterações, disseram pesquisadores nesta sexta-feira, 15. O número de dias perigosamente quentes na região do Mediterrâneo, que inclui territórios de Europa, África e Oriente Médio, pode aumentar de 200% a 500%, segundo um estudo publicado na revista Geophysical Research Letters. A França registraria a maior elevação no número de dias extremamente quentes, disse o estudo. Paris irá, literalmente, fritar, caso as simulações citadas no artigo se verifiquem efetivamente - a capital francesa registrará, durante dezenas de dias por ano, temperaturas superiores às da letal onda de calor de 2003. No entanto, a redução das emissões de gases do efeito estufa tornaria 50% menos intensos os dias perigosamente quentes, afirmaram os autores do estudo, no qual se analisaram simulações climáticas abrangendo o período até 2099. Cerca de 15 mil pessoas morreram na França devido à onda de calor de 2003, e quase 3.000 na Itália, no mesmo verão. "Hoje os acontecimentos raros, como a onda de calor que atingiu a Europa em 2003, tornam-se muito mais comuns na medida em que aumenta a concentração de gases do efeito estufa", disse em um comunicado o pesquisador Noah Diffenbaugh, da Universidade Purdue, em Indiana. Diffenbaugh acrescentou que essas temperaturas "tornam-se o padrão e que os eventos extremos previstos para o futuro não terão precedentes quanto a sua violência". Os dias mais quentes dos verões de hoje, segundo o pesquisador, se transformarão nos dias mais amenos dos verões futuros. Também participaram do estudo outros cientistas dos EUA, da Itália e da China. Além da ameaça à vida, essas temperaturas extremamente elevadas poderiam prejudicar a economia da região mediterrânea, afirmou Jeremy Pal, da Universidade Loyola Marymount, na Califórnia, e co-autor do estudo. No total, 21 países são banhados pelas águas do Mediterrâneo, o que inclui as cidades de Roma, Paris, Barcelona, Argel, Cairo, Istambul e Tel-Aviv. Diffenbaugh disse que mudanças feitas agora nas tecnologias usadas e no comportamento das pessoas podem reduzir as emissões de gases do efeito estufa, mas acrescentou: "Avaliamos que haverá impactos negativos mesmo com a diminuição das emissões."

Tudo o que sabemos sobre:
ondas de caloreuropaefeito estufa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.