Dieta familiar na balança

Saiba como se alimentar de forma adequada em família sem deixar de lado as características individuais

Diana Perez/ ESPECIAL PARA O SF,

14 de maio de 2011 | 16h00

Se adotar um cardápio balanceado já é um desafio para qualquer pessoa, o que dizer de quem cuida da alimentação da família inteira? Para a nutricionista Maria Gandini, da consultoria RG Nutri, o segredo é pensar nos pratos como um todo, mas sempre levando-se em conta as características individuais. "Devem ser feitas cinco refeições ao dia. Não é bom passar mais de quatro horas sem comer", explica a especialista. As calorias totais ingeridas no dia devem ser consumidas na seguinte proporção: 20% no café da manhã, 5% no lanche matinal, 30% no almoço, de 10% a 15% no lanche da tarde e 30% no jantar.

No lar da dona de casa Maria de Lourdes Morais, de São Paulo, por exemplo, vivem quatro pessoas: além dela, o marido e os dois filhos, Rodrigo, de 24 anos, e Rafael, de 20. A mãe e o mais velho precisam de uma dieta especial, pois ambos têm diabetes, dos tipos 2 e 1, respectivamente. Rodrigo também desenvolveu, recentemente, insuficiência renal.

A rotina alimentar da família é regrada. A própria Maria de Lourdes cozinha e prepara o que cada um gosta. "Eu e meu marido comemos de tudo, mas, para os meus filhos, há sempre algo diferente." Ela conta que Rodrigo não gosta de legumes cozidos, mas adora frutas. Rafael é exatamente o oposto.

No almoço e jantar, prepara um cardápio trivial, como arroz - misturado à cenoura, para obrigar o mais velho a comer legumes - e feijão carioca ou preto, às vezes com um pedaço de carne seca dentro. Como proteína, serve bife, carne de panela ou frango assado. Na salada, agrião ou almeirão para Rodrigo, e alface para o menor. "Mas o que todos gostam mesmo é de um tomate picadinho com cebola", conta a mãe.

Para variar a refeição, prepara uma massa com molho branco e queijo ou panquecas de carne moída e mussarela. Para acompanhar, um suco artificial ou uma limonada natural. Na hora do lanche, Rodrigo, que passa a maior parte do tempo em casa, come frutas. Como sua alimentação precisa ser bem específica, a nutricionista Maria Gandini lembra que potássio, sódio e fósforo devem ser evitados, pois sobrecarregam o trabalho dos rins.

O potássio é encontrado na água de coco, suco de laranja, melão, carambola e banana nanica - a maçã e a ouro apresentam menor teor. Almeirão, cenoura e tomate, que a mãe sempre cozinha para Rodrigo, também trazem o elemento. "O legume deve ser intercalado. Dá para trocar por abobrinha, quiabo, chuchu, berinjela e abóbora. O tomate pode ser substituído pelo pimentão", diz Maria.

O sódio, que deve ser evitado por toda a família, além de ser encontrado no sal de cozinha, também é muito usado como conservante em produtos artificiais. Por isso, Maria alerta: "Suco artificial e molho pronto são venenos." No caso do molho branco, que Maria de Lourdes usa no macarrão, não há muito jeito: o preparado na hora tem fósforo, que é um dos outros nutrientes proibidos para Rodrigo. Maria lembra que refrigerantes e embutidos (presunto, salame) contêm o elemento e, por isso,devem ser controlados.

Frações. Para o pai e o filho mais novo, que não têm problemas de saúde, o fracionamento e uma alimentação balanceada, com arroz, feijão, legumes e folhas são importantes. Também é interessante não consumir muito óleo. O ideal é trocar pelo de canola ou girassol, mas se for muito caro, ela aconselha a usar uma lata para quatro pessoas no mês. "É preciso sempre dosar a quantidade."

Cardápios diferenciados

Andrea Andrade, da RG Nutri, sugere dois programas alimentares, mas lembra que é preciso respeitar as particularidades de cada

um. "Por isso, marque uma consulta com o nutricionista"

Casal sem filhos

Café da manhã: Coma um alimento de cada grupo - carboidrato, proteína e uma fonte de vitaminas e minerais. Uma dica prática, que é possível comer no caminho do trabalho, é o sachê que vem com cereais (carboidrato), que podem ser misturados no iogurte (proteína) com uma alguma fruta (vitamina e minerais)

Lanches da manhã e da tarde: Evite açúcar e gordura. Opte por barras de cereias, frutas secas, queijo processado e iogurte

Almoço: Restaurantes a quilo e self-services trazem mais opções, mas não se exceda. Escolha saladas cruas e carnes assadas, grelhadas ou cozidas. Quando puder, dê preferência ao peixe. Frituras estão liberadas esporadicamente. A sobremesa ideal é uma fruta

Jantar: Coma menos do que no almoço, sempre com salada. Sanduíches com pão integral, recheio magro, como atum em água e peito de frango, e um vegetal também são bem-vindos

Casal com filhos

Café da manhã: O carboidrato, a proteína e uma fonte de vitaminas e minerais permanecem. Por isso, sempre à mesa pão integral à base de grãos, frios magros, leite, iogurte e frutas. Achocolatados são permitidos com moderação Lanches da manhã e da tarde: Para os adultos, barrinhas de cereais e frutas secas. Já as crianças, que levam o lanche para o recreio, devem evitar frituras e doces. Um sanduíche magro, com queijo branco, uma fruta ou um suco, e um iogurte são as opções. Não há problema em comer uma guloseima eventualmente

Almoço: Sempre leve uma salada para a mesa, para que se torne um hábito entre as crianças. Acompanhe com arroz, alguma leguminosa, como feijão, lentilha ou grão-de-bico, além de legumes crus ou cozidos. Como fonte de proteína, carnes mais magras, dando uma atenção especial ao peixe. Novamente prefira assados, cozidos ou grelhados e evite frituras, como batatas fritas

Jantar: Coma menos carboidrato do que no almoço. Sempre capriche na salada e faça um prato diferente. Para sobremesa, guloseimas não devem ser regra. Prefira as frutas, variando nas escolhas  e na apresentação, para estimular o consumo

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