Dilma adia implementação do acordo ortográfico

Decreto da presidente Dilma Rousseff, publicado ontem no Diário Oficial da União, adiou para 1.º de janeiro de 2016 a implementação definitiva do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O período de transição foi ampliado de três para seis anos, segundo explicações do governo, para que o País se prepare melhor para as novas regras.

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2012 | 02h01

Entre as mudanças, o acordo suprime o trema - só válido para nomes estrangeiros -, retira o acento agudo de ditongos como ei, altera as regras do hífen e inclui as letras k, w e y no alfabeto.

O Ministério da Educação (MEC), que já mandou imprimir a maior parte do material didático, informou que vai adotar a nova ortografia em 2013 para estimular o aprendizado.

A necessidade de mudança no calendário de implementação do acordo ficou evidente em novembro, numa reunião entre representantes dos Ministérios das Relações Exteriores, Cultura, Educação e Casa Civil. Na véspera, comissão parlamentar integrada pelos senadores Lídice da Mata (PSB-BA) e Cyro Miranda (PSDB-GO) levou à ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) ponderações sobre os riscos de uma aplicação precipitada das novas regras para a vida de professores, estudantes, escritores e o mercado editorial.

Participou do encontro o professor Ernani Pimentel, idealizador do movimento Acordar Melhor, que encontrou algumas inconsistências nas novas regras e defende a simplificação ortográfica. Manifesto encabeçado por ele, que defende "uma ortografia brasileira com base racional, objetiva e sem exceções", já recebeu mais de 20 mil assinaturas.

Para o professor, autoridades brasileiras estão percebendo que há necessidade de ajustes nos termos do acordo, mas essa hipótese não é confirmada pelo governo federal e pelo MEC.

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