Dilma agradece carta de deputada iraniana, não menciona Sakineh

A Presidência da República divulgou afirmou nesta terça-feira que a presidente Dilma Rousseff tomou conhecimento da carta enviada pela parlamentar iraniana Zohreh Elahian sem, no entanto, mencionar o caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, condenada a morte no Irã após ser acusada de adultério e de participar no assassinato de seu marido.

REUTERS

18 de janeiro de 2011 | 14h39

"Agradece os cumprimentos que a parlamentar lhe dirigiu por sua eleição à Presidência do Brasil, as informações que constam da carta e o interesse em contribuir para um diálogo construtivo entre os dois países sobre temas bilaterais e multilaterais", afirma nota divulgada pela Presidência.

Na segunda-feira, a agência de notícias estudantil do Irã, a Isna, informou que a parlamentar, que é presidente da comissão de direitos humanos do Parlamento iraniano, enviou carta a Dilma afirmando que a sentença de Sakineh foi suspensa. Uma outra autoridade, entretanto, negou a informação.

A nota divulgada nesta terça pela Palácio do Planalto não cita o caso de Sakineh, que atraiu atenção internacional quando foi condenada a morte por apedrejamento sob acusação de adultério.

Posteriormente, a sentença de apedrejamento foi suspensa, mas ela ainda corria o risco de ser enforcada sob acusação de ter sido cúmplice do assassinato do marido.

"Embora a sentença de apedrejamento não tenha sido finalizada ainda, a sentença de enforcamento foi suspensa devido ao perdão (dos filhos dela)", teria escrito a parlamentar na carta endereçada a Dilma, de acordo com a Isna.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a oferecer asilo à iraniana, que está presa, mas a proposta foi rejeitada pelo Irã, que elogiou a sensibilidade de Lula, mas disse que ela não dispunha de todas as informações sobre o caso.

Logo após ser eleita, Dilma, que foi presa e torturada durante o regime militar no Brasil, se declarou "radicalmente contra" a execução de Sakineh.

Na nota desta terça, a Presidência da República reitera que o respeito aos direitos humanos será peça-chave em sua política externa "sem seletividade e tratamento discriminatório".

O comunicado elogia ainda a disposição de Elahian de "realizar um amplo intercâmbio de opiniões por meio dos canais adequados" e sugere um diálogo da parlamentar iraniana com as comissões de Direitos Humanos do Congresso Nacional.

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