Dilma: Autorregulação do mercado não pode conduzir crescimento

A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira que o crescimento do país não pode depender exclusivamente das "forças de autorregulação do mercado" e ressaltou o momento de "mutação" atual vivido no desenvolvimento do Brasil.

REUTERS

17 Maio 2012 | 13h07

Ela entregou, nesta quinta, o prêmio Almirante Álvaro Alberto de contribuição científica à sua ex-professora e economista Maria da Conceição Tavares, a quem atribuiu grandes contribuições ao desenvolvimento do país.

"Nós hoje não admitimos mais a possibilidade de construir um país forte e rico dissociada de melhorias das condições de vida de nossa população, nem tampouco acreditamos mais na delegação da condução de nosso crescimento exclusivamente às forcas de autorregulação do mercado, crença aliás que Maria da Conceição Tavares sempre corretamente criticou", disse Dilma.

A presidente, que durante a campanha eleitoral à Presidência recebeu o apoio da economista, que já foi deputada pelo PT, disse que Maria da Conceição Tavares contribuiu para "o mapa do caminho".

Segundo Dilma, o Brasil vive nos últimos nove, dez anos um ponto de mutação na história de seu desenvolvimento. "E para a história desse desenvolvimento, e para o desenvolvimento, foi necessário que nós tivéssemos compreensões, compromissos, ideias e tivéssemos de uma forma ou de outra o mapa do caminho."

Pouco antes, em seu discurso, Maria da Conceição Tavares elogiou os governos petistas, criticou o período tucano -em especial as reformas econômicas feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso- e falou da crise econômica na Europa.

"Nós estamos enfrentando este ano, outra vez, uma crise internacional. Que é ruim, mas vocês têm que ter em conta que em 2009, que foi o começo dessa ‘crisezona' que está aí, foi a primeira vez que o Brasil não entrou em parafuso. Não teve que fazer moratória, não interrompeu o desenvolvimento, e isso é sinal de que nós estamos caminhando por outro caminho", disse.

Já sobre a crise europeia, a economista, de 82 anos, brincou que não deve ver seu fim. "Não vou conseguir passar a crise europeia, porque será uma crise muito longa."

(Reportagem de Ana Flor)

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