Dilma considera avaliações do TCU sobre Graças Foster 'questionáveis'

A presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição, disse nesta segunda-feira que considera "questionáveis" as avaliações do Tribunal de Contas da União (TCU) no processo que pode incluir a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, como responsável por possíveis perdas para a estatal na compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos.

REUTERS

11 Agosto 2014 | 17h24

"Eu não vou fazer nenhum julgamento sobre uma pessoa da qualidade da presidente Maria das Graças Foster baseada em avaliações que eu acho questionáveis", disse a presidente em entrevista para a Rádio Gaúcha, ao ser questionada sobre a possibilidade de afastamento da executiva, caso ela seja incluída na investigação do TCU.

Os ministros do tribunal começaram a analisar a inclusão de Graças Foster no processo na semana passada, mas adiaram a decisão sem marcar uma data para retomada do julgamento.

O TCU poderá condenar os envolvidos a pagar quase 800 milhões de dólares à estatal, a título de ressarcimento, caso considere que houve prejuízo após a decisão da diretoria de abrir uma arbitragem internacional contra a empresa belga Astra, ex-sócia da Petrobras em Pasadena.

A decisão da câmara arbitral foi desfavorável à Petrobras, que teve que desembolsar 1,25 bilhão de dólares ao todo por Pasadena --inicialmente havia pago 360 milhões de dólares por 50 por cento da refinaria, em 2006.

Dilma criticou ainda o uso político do caso.

"Eu acho gravíssimo politizarem uma discussão desse tipo. Gravíssimo, e não acho muito responsável. Espero que não se faça política nesse assunto", disse Dilma tentando rechaçar a cobrança por esclarecimentos dos seus principais adversários na disputa eleitoral.

"A Petrobras é a maior empresa desse país, a Maria das Graças Foster tem méritos inequívocos", disse Dilma.

As discussões sobre a aquisição da refinaria no Texas voltaram à tona em março de 2014, após anos da efetivação do negócio e da decisão da câmara arbrital, depois de a presidente Dilma afirmar, por meio de nota, que o aval para a compra da refinaria foi dado com base em um documento "técnica e juridicamente falho" apresentado ao Conselho de Administração.

Segundo a nota, o resumo executivo preparado pela diretoria da área internacional na época "omitia" informações como a cláusula "put option".

Em depoimento à CPI do Senado que investiga o caso, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, declarou que, se conhecesse a cláusula, talvez o conselho não tivesse aprovado a compra da refinaria.

Na sexta-feira, a Petrobras publicou comunicado ao mercado em que afirma que seu Conselho de Administração refuta especulações sobre saída da presidente da companhia.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro)

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