Dilma dá recado à base e cita importância de coalizão

Numa tentativa de acalmar os ânimos exaltados entre partidos aliados que exigem mais espaço, a presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira que a construção de alianças é essencial para a formação do governo, mas que o foco do seu mandato está nos interesses do país.

HUGO BACHEGA, REUTERS

02 Março 2012 | 15h25

A insatisfação de siglas governistas ficou mais explícita nos últimos dias, com novas reclamações de diversos partidos pela distribuição de cargos em ministérios feita por Dilma aos aliados. Reclamam ainda que o PT, partido da presidente, assegurou os cargos principais e mais importantes.

O PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, editou um manifesto no qual expressa preocupação com uma suposta pretensão de hegemonia do PT, que usaria a eleição municipal deste ano para tomar espaço do PMDB nos municípios.

Dilma destacou a importância das alianças com partidos, "unidos por visões comuns", disse que se apoiar numa coalizão de legendas "não é contraditório", e que seu objetivo é governar para todos.

"A constituição de alianças políticas é essencial para que o Brasil seja administrado, governado, de forma democrática e, ao mesmo tempo, que o governo represente os interesses da nação", disse Dilma durante a posse do novo ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella (PRB-RJ).

"Foi graças a essa ampla coalizão que sustenta o meu governo que chegamos ao poder para governar para todos, sem exceção... Ela é uma coaliazão que necessariamente governa olhando o interesse de cada brasileiro".

Apesar das citações à base, Dilma destacou que a decisão final sobre assuntos do governo cabe a ela.

"As decisões são responsabilidade e pesam nas costas da pessoa que é chefe de Estado e de governo. Cabe ao presidente ouvir, avaliar e decidir. Mas também cabe ao presidente construir a equipe que divide esse fardo".

O PRB de Crivella não ocupava nenhum ministério no governo. Ele chega à pasta da Pesca numa tentativa de Dilma contemplar a bancada evangélica no Congresso, diante de polêmicas envolvendo ministros do governo e religiosos. Ele substitui Luiz Sérgio (PT-RJ), que retomará seu mandato como deputado federal.

"NATUREZA DE COALIZÃO"

A briga entre partidos por maior espaço se intensificou nas últimas semanas, diante da indefinição em pastas como Trabalho, reivindicada pelo PDT, e Transportes, cujo titular o PR deseja indicar.

Somam-se à disputa por cargos os arranjos em andamento para as eleições municipais que, em alguns casos, poderá colocar de lados opostos aliados de Dilma.

A presidente se emocionou ao falar de Luiz Sérgio, que iniciou o governo como ministro de Relações Institucionais, e destacou a disposição dele em ceder seu espaço para acomodar outro partido aliado.

"Ao longo do caminho, muitas vezes somos obrigados a prescindir de grandes colaboradores", disse Dilma, emocionada, ao agradecer Luiz Sérgio. "Você foi e é um amigo, um parceiro, e compreende a natureza de um governo de coalizão, assim como a dedicação que a política muitas vezes acaba por nos impor em nome dos interesses do país."

(Reportagem de Hugo Bachega; Edição de Maria Pia Palermo)

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