Dilma diz que documento 'possível' deve ser comemorado

Presidente rejeita noção de que liderança brasileira falhou no processo de negociação e diz que texto é 'avanço'

DENISE CHRISPIM MARIN, ENVIADA ESPECIAL, SAN JOSÉ DE LOS CABOS, MÉXICO, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h04

A presidente Dilma Rousseff rejeitou a avaliação de que o texto da declaração final da Rio+20, aprovado pela sessão plenária dos 191 países presentes à conferência na madrugada de ontem, reflete o fracasso da liderança brasileira no processo de negociação. Depois de participar da reunião dos líderes das maiores economias do mundo (G-20) e prestes a embarcar para o Rio de Janeiro, onde abrirá hoje o segmento de alto nível da Rio+20, ela disse que foi feito "o documento possível". E defendeu que esse texto foi um avanço.

"Em Copenhague, era impossível tirar um documento. Eu acredito que o documento da Rio+20 é um grande avanço, uma vitória", afirmou a presidente, referindo-se à conferência do clima de 2009. "É difícil construir o consenso entre 17 países. Estamos vendo isso na (zona do euro da) União Europeia. Mas, nós estamos fazendo isso (chegar ao consenso) na Rio+20", completou a presidente.

O texto da Rio+20, insistiu Dilma, deve ser "comemorado" como uma vitória do Brasil em extrair uma posição de consenso a respeito de um tema complexo, sobre o qual os 191 países apresentam posições diferentes, antes de o encontro de cúpula ser oficialmente aberto. Esse fato, destacou, é inédito nas negociações sobre mudança climática e meio ambiente.

Dilma 'paz e amor'. "Se a gente tivesse decepção quanto a isso (o documento da Rio+20), não podia recepcionar uma conferência internacional. Essa é uma visão de quem acha que a relação internacional não respeita os chefes de Estado e a posição soberana dos países. Ao recebê-los e à conferência das Nações Unidas, temos de ter a postura de respeitar a soberania de cada país, entender e procurar o apoio", afirmou Dilma, que disse estar em uma fase "paz e amor".

Questionada se considerava mais difícil extrair o consenso em um encontro do G-20, que fracassou ontem na tentativa de extrair compromissos da Europa para superar sua crise, ou na Rio+20, Dilma confessou não saber a resposta. "Há uma multidão de multidiversidade (nos dois fóruns)."

Dilma explicou ter acompanhado as negociações sobre meio ambiente e mudança de clima desde Copenhague, como ministra do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, lembrou ela, alguns países queriam mais ambição nos objetivos de desenvolvimento sustentável, outros queriam uma discussão democrática com a participação de todos e havia a complicada questão sobre as contribuições financeiras.

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