Dilma diz que novo governo deve propor mudanças e reformas

Dilma diz que novo governo deve propor mudanças e reformas

A presidente Dilma Rousseff reconheceu nesta quarta-feira que, apesar da vitória nas urnas em outubro ter lhe concedido um novo mandato, terá de propor mudanças e reformas nos próximos quatro anos de governo.

REUTERS

05 Novembro 2014 | 15h42

As mudanças a serem implantadas, segundo Dilma, terão como centro a aceleração com o crescimento, o combate à inflação, a responsabilidade fiscal, a expansão da renda, do emprego e da inclusão social.

“O governo, apesar de ter uma presidente reeleita, tem que ser um governo que proponha mudanças e reformas”, disse a presidente durante encontro com lideranças do PSD, no Palácio do Planalto, primeiro evento público desde sua reeleição.

Ao citar a reforma política e a reforma tributária como medidas necessárias para o país, Dilma reafirmou a necessidade de dialogar com diversos setores e partidos e disse que o principal espaço para o diálogo é o Congresso Nacional.

“É lá, principalmente, que se dará a relação entre o governo e os partidos. Essa relação para mim é uma realação estratégica”, disse, referindo-se ao Legislativo como um “espaço privilegiado de articulação política”.

Dilma foi alvo de críticas durante o primeiro mandato pela falta de aproximação com partidos e políticos de sua ampla base. No primeiro discurso após a votação de 26 de outubro, em que ela teve uma vitória apertada sobre o senador Aécio Neves (PT-MG), a presidente propôs diálogo e defendeu a necessidade de uma reforma política por meio de plebiscito.

Desta vez, no entanto, a presidente tomou o cuidado para deixar claro que o governo não tem a “fórmula pronta” para efetivar a reforma política e que terá de passar, inevitavelmente, pelo Congresso.

Ao defender novamente a necessidade de se fazer essa reforma, Dilma exaltou a “sobriedade pedagógica” do PSD por pregar a busca pelo consenso e pela “construção de pontes” e reconheceu como um “exemplo” a ser seguido.

Para a presidente, o PSD auxilia o governo por ocupar um espaço mais ao centro, onde “os diferentes conflitos da sociedade podem ter solução”.

O PSD, criado por Kassab, não se posiciona nem à esquerda nem à direita e bem no início de sua formação optou pela neutralidade em relação ao governo. Tendo um de seus integrantes como ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, no entanto, foi o primeiro partido a declarar apoio formal à candidatura à reeleição da presidente.

O ex-prefeito de São Paulo não descartou a formação de bloco ou frente partidária com siglas alinhadas à posição do PSD, incluindo PL, ainda em formação.

SABER PERDER

Dilma aproveitou afirmação do líder do PSD na Câmara, Moreira Mendes (RO), de que é preciso “desmontar palanques” para dizer que faz parte do “jogo democrático” ganhar ou perder.

“Qualquer tentativa de retaliação por parte de quem ganhou ou ressentimento por parte de quem perdeu é uma incompreensão do processo democrático e mais, criaria no Brasil um quadro caótico”.

O PSDB havia pedido uma auditoria do processo eleitoral ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), enquanto alguns militantes anti-PT chegaram a fazer manifestações após a eleição de Dilma e defender o impeachment da presidente e intervenção.

Em sua primeira aparição no Congresso, após a eleição, Aécio declarou que respeita a democracia e que se o governo quiser dialogar, como propôs Dilma no discurso após a confirmação de sua vitória, terá de demonstrar por meio de gestos “objetivos e claros sobre em que direção quer caminhar”.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

Mais conteúdo sobre:
POLITICA DILMA ENCONTROPSD ATUALIZA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.