Dilma: 'Há grande preconceito contra médicos cubanos'

Em entrevista a rádios mineiras, presidente destacou que em outros países, como os EUA, o porcentual de profissionais estrangeiros é maior que no Brasil

MARCELO PORTELA, JOSÉ ROBERTO CASTRO, GUSTAVO PORTO E FERNANDO TRAVAGLINI, Agência Estado

28 de agosto de 2013 | 09h36

Atualizado às 16h10. A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta quarta-feira, 28, em entrevista a rádios de Belo Horizonte, a vinda de médicos estrangeiros para o Brasil e criticou o que chamou de preconceito contra os profissionais cubanos. "É um grande preconceito contra os cubanos. O que não é correto é supor que em algum país há um bloqueio à vinda de profissionais especializados para ajudar o país", disse Dilma. A presidente lembrou que, além de cubanos, há médicos de outras nacionalidades.

A principal crítica de associações médicas brasileiras é que os profissionais de outros países contratados por meio do programa federal poderão atuar sem serem submetidos ao Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida). Na entrevista, Dilma alegou que "não é correto a gente supor que em algum país do mundo há um bloqueio à vinda de profissionais especializados para ajudar o País quando ele não tem médicos suficientes".

Ela salientou que o governo aposta no programa porque, de acordo com a presidente, há "700 municípios onde não morava nenhum médico". E usou a própria filha para justificar a necessidade de contratação dos estrangeiros. "Se você tivesse uma doença, se tivesse um filho, por exemplo, como foi o caso da minha filha, com asma, que geralmente é uma coisa terrível. Ela acontece de noite, bem de madrugada. Na hora em que está todo mundo dormindo, fica a criança com asma. Aí tem que sair correndo com a criança porque ela está com falta de ar e tem que levar para o médico", observou.

Dilma avaliou ainda que o programa é uma questão "humanitária" e que o Brasil adotou "o mesmo padrão de 58 países do mundo". A presidente ressaltou que outra nações têm abertura bem maior aos profissionais estrangeiros e que essa atuação, aqui, é "baixíssima". "Na maioria dos países o que nós vemos é a presença de médicos formados fora trabalhando dentro do país. Nos Estados Unidos é 25%. Há lugares do mundo, como o Canadá, em que chega a 37%. Aqui estamos abaixo de 2%",exemplificou. E garantiu que esses médicos vão ter "as condições de moradia, de alimentação e tranquilidade material" para trabalhar, mas também haverá "monitoramento" desses profissionais.

Segundo a presidente, os cubanos que chegam ao Brasil vão trabalhar segundo um padrão internacional para missões humanitárias. Dilma não descartou a possibilidade de esses médicos ficarem no País após o fim do prazo do contrato do Mais Médicos, desde que façam os exames necessários.

A entrevista estava marcada para terça-feira, 27, quando Dilma esteve na capital mineira. A presidente falou às rádios de Brasília, para onde voltou ontem depois de participar de formatura de alunos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), em Belo Horizonte.

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