Dilma não admite violência contra moradores de rua

A presidente Dilma Rousseff disse, nesta sexta-feira, ser inconcebível o nível de violência contra moradores de rua e cobrou da sociedade que assuma esse repúdio. Antes de seu pronunciamento feito em um evento de celebração de Natal dos catadores e da população de rua em São Paulo, Dilma assistiu a um vídeo que mostrou situações de violência contra moradores de rua. Em uma das imagens, na qual um guarda civil metropolitano espirra spray de pimenta no rosto de um morador de rua, Dilma colocou a mão na boca e ficou pensativa, claramente inconformada.

GUSTAVO PORTO E FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, Agência Estado

21 Dezembro 2012 | 13h25

"Nós devemos respeito aos moradores de rua. Não é concebível que se jogue um spray de pimenta no rosto de um morador e esse nível de violência", disse a presidente, em seguida, já no pronunciamento, após o vídeo. "Não podemos deixar de cuidar da questão da impunidade, pois ela incentiva a repetição, o crime a indignidade. Não é admissível que o País, que se transforma, desde 2003, que hoje faz dez anos de governo (petista) e é respeitado no mundo, tenha esse tratamento com a população de rua", disse.

A presidente informou que o governo pretende instalar 144 consultórios para atender moradores de rua no próximo ano e ainda 100 centros para abrigar essa população. Ela cobrou os prefeitos eleitos e reeleitos para que apresentem projetos e participem do atendimento aos moradores. E voltou a pedir a mobilização da sociedade, das igrejas e do Ministério Público em torno do assunto.

Dilma citou os investimentos de R$ 240 milhões em 2013 em ações de estímulo à organização de cooperativas e associações, bem como a linha de crédito do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar máquinas e equipamentos de reciclagem. Ela disse estar feliz com a informação dada pelo representante dos moradores de rua, Anderson Miranda, de que de uma estimativa de 10 mil famílias que se encontram atualmente nessa situação cerca de 1.000 acessaram o programa Minha Casa, Minha Vida.

No entanto, durante o discurso, Dilma se confundiu e afirmou que eram 10 mil famílias com acesso ao programa e não 1.000, como informado por Miranda. "É um programa que foi feito para dar moradia aos que ganham, principalmente, até R$ 1.600 e o governo faz questão de subsidiar até 90%", afirmou.

A presidente voltou então a mostrar indignação com a violência contra os moradores de rua. "Em 2013 a minha dedicação a essa tarefa será muito grande e me empenharei para que tenhamos a possibilidade de reduzir a violência", afirmou.

Dilma citou ainda que 16,4 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema e que a meta de erradicá-la seguirá em 2013. "Estamos nos aproximando da possibilidade de dizer com orgulho que o Brasil acabou com a pobreza extrema", disse a presidente, que prometeu participar anualmente do evento de fim de ano até o final do mandato dela.

Desfile

Antes do discurso, Dilma assistiu a um desfile de moda com roupas feitas com materiais reciclados e a uma apresentação musical. Ouviu as reivindicações dos representantes dos catadores e dos moradores de rua. De Eduardo Ferreira, líder dos catadores, recebeu o pedido de inclusão deles em todo o processo de coleta seletiva e reciclagem. "Não queremos ficar no galpão e esperar o material, queremos ter acesso à comunidade, à tecnologia", disse.

Já o representante da população de rua Anderson Miranda pediu a suspensão imediata das ações de internação compulsória de usuários de crack e entregou à presidente um documento com 13 pontos reivindicados pelos moradores. Em seguida, Dilma assistiu ao vídeo com imagens de situações de violência contra moradores de rua que a deixou indignada.

Miranda liderou ainda um "Parabéns a Você" pelo aniversário da presidente Dilma, no último dia 14, lembrou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se confundiu com o nome dos dois durante a comemoração.

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