Fabrice Coffrini/AFP
Fabrice Coffrini/AFP

Dilma nega 'propina' para campanha de 2014

Na Suíça, presidente cassada rebate depoimento de Marcelo Odebrecht e critica Temer por inaugurar obra de transposição do São Francisco

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

11 Março 2017 | 14h01

GENEBRA - A presidente cassada Dilma Rousseff disse neste sábado, 11, durante um festival de cinema em Genebra, que sua chapa na campanha eleitoral de 2014 não recebeu recursos ilegais. Ela afirmou que o financiamento foi integralmente declarado à Justiça Eleitoral. Naquele ano, ela disputou a corrida presidencial com o vice e atual presidente Michel Temer.

O PSDB moveu, logo após o resultado da disputa eleitoral, uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a chapa Dilma-Temer sob a acusação de abuso de poder econômico e político. Ex-presidente da maior construtora do País, Marcelo Odebrecht, em depoimento ao TSE, reafirmou o conteúdo de sua delação premiada na Operação Lava Jato, na qual afirmou que a presidente cassada tinha conhecimento de pagamento por meio de caixa 2 para sua campanha à reeleição.

Questionada sobre as suspeitas de repasses ilegais da construtora para sua chapa, Dilma negou, mais uma vez. “Eu quero dizer: eu jamais pedi, cobrei, conversei sobre propinas”, afirmou a presidente cassada, durante viagem à Suíça.

Em dezembro, o Estado revelou que pelo menos uma delação de um executivo da Odebrecht indicou que a chapa Dilma-Temer havia recebido dinheiro de caixa dois da Odebrecht. A construtora descreveu uma doação ilegal de cerca de R$ 30 milhões paga para a coligação “Com a Força do Povo”. No dia 2 deste mês, o ex-executivo da Odebrecht Benedito Barbosa da Silva indicou que a empresa entregou de seu caixa 2 cerca de R$ 40 milhões para a campanha e explicou que o dinheiro era proveniente do Setor de Operações Estruturadas, o Departamento da Propina.

Questionada se teria feito algo diferente se pudesse reiniciar seu governo, Dilma ironizou: “Certamente não teria escolhido o mesmo vice-presidente”. 

Crítica ao governo. Dilma também criticou o presidente Michel Temer por tentar "ganhar apoio" no Nordeste ao realizar a inauguração de parte das obras da transposição do Rio São Francisco. "É uma obra que leva muito tempo. Em oito meses, ninguém faz essa obra. Ninguém", disse.  Segundo Dilma, ao deixar o governo, ela havia pagado 89% do custo. “Disseram que tínhamos parado o pagamento. Isso não é verdade”, afirmou. “Ele (Temer) pagou pouquíssimo. O grosso da obra foi feita por mim e pelo Lula”. 

Segundo Dilma, a viagem de Temer nesta semana para a região da transposição do Rio tem uma relação com a "rejeição" que o presidente sofre no Nordeste e sua "pouca interlocução com a população". "Ele tem esse direito de ir. Mas não pode ser sobre uma obra alheia". Temer insistiu que não quer ter a paternidade da obra

Deterioração. Diante de uma plateia de apoiadores, Dilma reforçar a tese de “golpe” para falar sobre seu processo de impeachment, encerrado em 31 de agosto do ano passado. Ela atribuiu os maus resultados da economia à sua queda. “Você acha que alguém investe em um país em que parte da oposição pede o impeachment da presidente? Eles construíram algo irresponsável, a insegurança no Brasil. E quando eu saísse, conseguiriam mudar a situação política e econômica. Hoje, a situação política se deteriora e a economia se deteriora”, afirmou. Dilma disse que partidos que faziam oposição a ela são os responsáveis pela crise econômica.

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