Dilma pede a Lupi explicação sobre posição do PDT para mínimo

A presidente Dilma Rousseff pediu explicações nesta terça-feira ao ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, sobre a posição do PDT em relação à proposta do governo de 545 reais para o salário mínimo, que será votada na quarta-feira na Câmara dos Deputados.

REUTERS

15 de fevereiro de 2011 | 11h54

"Conversamos sobre vários assuntos e também salário mínimo. Ela me perguntou como estava a bancada (do PDT). E eu disse que conversaria com os deputados agora", disse o ministro ao chegar à reunião da bancada em um hotel em Brasília, depois de encontro com Dilma no Planalto.

Lupi preside o PDT, mas está temporariamente afastado porque ocupa o cargo de ministro. O partido é o principal foco de resistência dentro da base aliada à proposta do governo no Congresso.

O deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, tem liderado o movimento dentro da Câmara por uma proposta alternativa ao valor estipulado pelo Executivo.

Inicialmente, Paulinho da Força, como ele é conhecido, defendia um salário mínimo de 580 reais para 2011. Contudo, com o passar das semanas e depois de duas reuniões fracassadas com ministros do governo Dilma, o parlamentar passou a defender um reajuste dos atuais 510 reais para 560 reais. Com isso, uniu-se aos partidos de oposição para enfrentar o governo.

A presidente está descontente com a atuação das centrais sindicais em relação salário mínimo, porque considera que não estão cumprindo o acordo assinado no governo Lula. O acordo prevê que o reajuste anual do valor se dará pela soma da variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores e o resultado da inflação dos últimos 12 meses medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Como em 2009 a variação do PIB foi negativa, o governo aplicou apenas o INPC de 2010 para calcular o reajuste e chegou ao valor de 543 reais, que foi arredondado para 545 reais pela presidente.

Questionado se iria enquadrar a bancada durante a reunião, Lupi brincou e disse: "Aqui eles é que me enquadram."

O governo afirma que já tem maioria para aprovar o salário mínimo de 545 reais, mas trabalha para dar uma vitória ampla para Dilma e minar as resistências dentro da base aliada.

BANDEIRA BRANCA

Antes de Lupi se reunir com Dilma, Paulinho foi chamado para conversar com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho. Segundo o deputado, o ministro afirmou que o governo não deixaria de negociar com os sindicalistas as demais pautas dos trabalhadores.

"Ele disse que a vida não termina no salário mínimo. Que querem discutir o fator previdenciário, uma política de reajuste para os aposentados e a correção da tabela de Imposto de Renda", afirmou.

Segundo Paulinho, foi uma espécie de trégua oferecida pelo governo às centrais após o impasse sobre a votação do salário mínimo. Aliás, sobre esse tema, o deputado disse que não abre mão da proposta de 560 reais. "Sobre isso não tem conversa", disse.

(Por Jeferson Ribeiro)

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