Dilma prevê novas medidas para recuperar crédito

A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) afirmou nesta sexta-feira que o governo deve apresentar novas medidas de combate à crise econômica. Segundo a Dilma, a meta é recuperar o crédito e reduzir as taxas de juros ainda este ano.

REUTERS

27 de março de 2009 | 18h48

"A perspectiva para 2009 é a recomposição do crédito e redução dos juros. A recomposição do crédito passa por várias medidas, algumas delas podem ser anunciadas nos próximos dias", disse a ministra em Porto Alegre.

Dilma não quis detalhar as medidas, mas informou que o governo prepara um novo conjunto de "medidas anticíclicas geralmente dirigidas à área financeira". O anúncio também poderia incluir instrumentos de política tributária.

Mesmo evitando discutir metas e prazos, a ministra afirmou ainda que haveria uma "clara e firme disposição no governo" para reduzir juros. Na sua opinião, a crise econômica estaria oferecendo uma "oportunidade única" para efetivar este corte.

"Não existe a menor hipótese de haver qualquer pressão inflacionária num quadro de deflação e de queda de demanda internacional e interna como o que sofremos. Essa é uma janela que o governo brasileiro vai aproveitar", disse Dilma.

A ministra participou de uma audiência pública sobre os efeitos da crise econômica sobre a economia gaúcha e aproveitou a reunião com parlamentares, empresários e lideranças sindicais para defender as medidas adotadas pelo governo federal até agora.

AJUSTANDO CONTAS

Considerado um trunfo da intervenção estatal no aquecimento da economia, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) devem passar por uma avaliação do governo federal.

"A gente compreende que em alguns momentos pode haver atraso, eles são normais, mas em setores como o saneamento quem faz obras são os Estados e municípios", disse Dilma a jornalistas.

Segundo a ministra, além de fazer um balanço para verificar o andamento e possíveis dificuldades na implantação dos programas, deve haver uma negociação com os empresários para tentar antecipar ou ampliar contratação de mão-de-obra. O governo também deve exigir um compromisso formal para manutenção dos níveis de emprego antes de liberar financiamento ou conceder benefícios fiscais ao setor produtivo.

Dilma aproveitou para criticar os defensores do ajuste fiscal como a grande resposta aos problemas econômicos. Na sua opinião, acertar as contas públicas é uma obrigação de todos os governos e os administradores deveriam estar mais preocupados em capacitar-se para viabilizar os projetos de investimento.

"Sou contra vender o ajuste fiscal como panacéia. Ele não resolve o problema em um país com a dimensão do Brasil", disse a ministra.

(Reportagem de Sinara Sandri)

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