Dilma promete 'apagar incêndios' em aliança PT-PSB, dizem fontes

A presidente Dilma Rousseff garantiu a duas das principais lideranças do PSB -os governadores de Pernambuco, Eduardo Campos, e do Ceará, Cid Gomes- que ela irá atuar para "apagar incêndios" nas eleições municipais de forma a manter a aliança nacional entre PT e PSB, que chamou de "estratégica", segundo relato de presentes.

Reuters

10 de julho de 2012 | 18h11

Dilma jantou com os governadores e poucos ministros no Palácio da Alvorada na noite de segunda-feira na tentativa de "clarear mal-entendidos", como relatou um dos presentes, e garantir que possíveis desentendimentos durante as eleições municipais de outubro não afetem seu governo, que tem no PSB um dos principais aliados.

"Cabe à presidente garantir que rusgas locais não afetem o plano nacional", disse à Reuters nesta terça-feira um dos presentes, sob condição de anonimato.

Eduardo Campos, que é presidente do PSB, chancelou a quebra da aliança com o PT em Recife, o que evidenciou a crise com o partido de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agravada pelo fim da aliança na chapa para prefeitura de Belo Horizonte. Os dois partidos estarão em lados opostos em seis capitais.

Na noite de segunda-feira, ao chegar ao Alvorada, Campos afirmou a jornalistas que a "parceria nacional" entre PT e PSB "é maior que as eleições municipais".

A presidente optou por não chamar dirigentes do PT para o encontro. Além dos governadores, estavam os ministros Ideli Salvatti, das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, e Paulo Bernardo, das Comunicações.

Campos e Cid Gomes -que, ao lado do irmão Ciro Gomes, também chancelou o fim da aliança com o PT em Fortaleza- indicaram os dois titulares dos ministérios que o PSB ocupa na Esplanada, Integração Nacional e Portos.

Aliado histórico do PT desde a primeira tentativa de Lula de chegar à Presidência, em 1989, o PSB tenta com o movimento para as eleições municipais um descolamento de aliados, na avaliação de fontes do governo e especialistas ouvidos pela Reuters.

Para alguns setores do PT, a movimentação dos socialistas dá indícios de que o governador tentará enfrentar o PT nacionalmente já em 2014. Para outros aliados, é normal que o partido amplie sua independência para assim ganhar mais poder nas próximas eleições.

(Reportagem de Ana Flor)

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