Dilma vai ao Congresso na 3a; aliados pedem 'gestos práticos'

A ida da presidente Dilma Rousseff ao Congresso nesta terça-feira, em sinal de que quer contornar a crise em sua base de governo, não será suficiente para acalmar aliados, que afirmam que é hora de "gestos práticos, mais do que simbólicos", para a melhora na relação com o Planalto.

ANA FLOR, REUTERS

12 Março 2012 | 17h50

Dilma participa pela manhã no Senado de homenagem ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. Fontes do Planalto afirmaram à Reuters que, com a visita, Dilma sinaliza que não pretende retaliar aliados pela derrota sofrida na última semana, quando o Senado rejeitou a recondução de Bernardo Figueiredo à direção-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Não por acaso, o ministro Guido Mantega também vai ao Senado nesta quarta, participar de audiência da CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). Antes de os senadores rejeitarem o nome escolhido por Dilma para a ANTT, um assessor do governo afirmou à Reuters que a passagem da presidente ajudaria a "dividir atenções" e amenizaria uma possível pressão sobre Mantega.

Duas lideranças do PMDB que falaram à Reuters sob condição de anonimato dizem que não apenas o partido, mas também outros aliados estão céticos em relação ao gesto da presidente de tentar mudar a relação. Além da ida ao Congresso, Dilma iniciou uma série de conversas com lideranças aliadas para tentar contornar a insatisfação na base.

"Só o gogó não serve mais", disse um deles, voltando a repetir que o partido quer participar de decisões de governo.

Antes do revés no Senado -uma derrota que o Planalto colocou na conta do PMDB, principal aliado no governo- mais da metade da bancada peemedebista na Câmara já havia subscrito um manifesto se queixando da "hegemonia do PT no governo" e forma como o partido do vice-presidente Michel Temer é tratado pela presidente e por ministros.

Em outra movimentação para apaziguar a base aliada, a presidente começou a receber senadores e lideranças da coalizão governista. Já seus ministros políticos intensificaram a negociação da acomodação de partidos na Esplanada.

O PDT, desalojado do governo desde a demissão de Carlos Lupi, em dezembro, procurou o Planalto na última semana, disposto a aceitar o nome do deputado Brizola Neto (PDT-RJ) na pasta, informou uma fonte do governo. O deputado sofria rejeição do grupo ligado a Lupi.

Um deputado pedetista reconheceu, em conversa com a Reuters, que o partido voltou a negociar por causa da iminente entrega da pasta do Trabalho, tradicionalmente ocupada pelo PDT nos últimos anos, a outro partido.

O Planalto estava avaliando um nome que representasse o bloco PSC/PTB, dois partidos que Dilma quer incorporar ao governo, de preferência com um ministério.

Na mesma série de conversas, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) esteve em São Paulo na última semana e manteve conversas com lideranças do PR, partido que quer voltar ao comando do Ministério dos Transportes, já que não se sente representado pelo ministro Paulo Sérgio Passos.

Segundo assessores do governo, as negociações avançaram pouco porque Dilma gostaria de manter a pasta "sob seu controle".

(Edição de Eduardo Simões)

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