Dinheiro recebido por petista Paulo Rocha era lícito, diz defesa no STF

Por Hugo Bachega

Reuters

14 de agosto de 2012 | 17h15

BRASÍLIA, 14 Ago - A defesa do ex-deputado federal Paulo Rocha (PT-PA) disse nesta terça-feira, durante julgamento do chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), que o dinheiro recebido pelo réu tinha origem legal, e que os recursos seriam para o pagamento de dívidas de campanha.

Paulo Rocha teria recebido 820 mil reais do publicitário Marcos Valério por meio do Banco Rural, segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

A principal intermediária teria sido sua então secretária, Anita Leocádia, que recebeu 200 mil reais de Valério, apontado como o principal operador do suposto esquema. Rocha e Anita são acusados de lavagem de dinheiro.

O ex-deputado teria procurado o então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para pagar dívidas de campanha, segundo a defesa. Delúbio teria dito que "empréstimos bancários" estavam sendo fechados para saldar as pendências.

Segundo o advogado de Rocha, o petista desconhecia a origem do dinheiro e, mesmo que fosse ilícita, já teria chegado ao petista de forma legal, passando pelo sistema financeiro.

"Ele já chegou limpo ao diretório do PT", disse o advogado João dos Santos Gomes Filho na nona sessão de julgamento do caso.

O advogado rebateu a denúncia de lavagem de dinheiro contra Rocha já que, segundo ele, haveria a necessidade de um crime antecedente para que o petista fosse enquadrado nesta acusação.

Ele disse ainda que o réu não foi citado como integrante de nenhum dos grupos que formariam o suposto esquema, segundo a denúncia.

"Se a intenção fosse efetivamente distanciar a ilicitude originária... por que cargas d'água a cidadã vai ao banco, faz depósitos e se identifica", disse Gomes Filho, ao justificar como uma atividade "cotidiana" os saques e depósitos feitos por Anita a pedido de Rocha.

CAIXA DOIS: "RECORRENTE"

A defesa disse ainda que os recursos foram caixa dois de campanha para o pagamento de dívidas eleitorais, usando uma justificativa semelhante à feita por outros acusados de participarem do suposto esquema.

"Me parece recorrente no sistema eleitoral brasileiro o uso de caixa dois", disse Gomes Filho.

Já a defesa de Anita disse que ela só cumpriu ordens do seu então chefe e que os valores recebidos foram para o pagamento de contas de campanha. Disse ainda não haver nenhuma razão para ela constar entre os acusados.

"Não houve dolo de lavar dinheiro. Ela não sabia. Houve ausência de conhecimento de praticar qualquer crime", disse o advogado Luís Maximiliano Mota.

O chamado mensalão seria um suposto esquema de desvio de recursos e compra de apoio ao governo da base aliada no Congresso. O caso veio à tona em 2005 e provocou a pior crise política do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O julgamento no STF foi iniciado no dia 2 de agosto e não há previsão para o término, já que os ministros poderão levar quantas sessões necessitarem para a leitura de seus votos.

A fase de sustentações das defesas dos réus se encerrará na quarta-feira, com as apresentações dos últimos três réus.

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