Diretor da Cadeia de Formosa é preso por corrupção

Rogério Ribeiro da Silva cobrava dos presos R$ 500 por mês para poderem dormir fora da prisão

RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA AE, Agencia Estado

13 de dezembro de 2007 | 19h04

Após ser investigado pela Polícia Civil de Goiás nos últimos três meses, o diretor da Cadeia Pública de Formosa (GO), Rogério Ribeiro da Silva, foi preso terça-feira sob a acusação de corrupção ativa. Segundo a polícia, Silva montou um tipo de "mensalão" na cadeia que dirigia na cidade a 285 quilômetros de Goiânia. Pelo sistema, alguns detentos do regime semi-aberto pagariam R$ 500 por mês a ele para dormir fora da prisão "em ocasiões pessoais, nos fins de semana e feriados"."Um grupo de cinco detentos confessou que há três meses não aparecia na cadeia, e pagava R$ 500 por mês para o então diretor do presídio", afirmou o delegado Pedromar Augusto de Souza, da Delegacia Regional do município, responsável pelas investigações do caso. Souza afirmou que os presos iam à cadeia apenas para assinar a lista de freqüência e depois eram liberados de pernoitar no local.A estratégia do "mensalão" fracassou após denúncias anônimas. "As investigações começaram a partir de algumas informações recebidas pela nosso serviço de inteligência", afirmou o delegado. O diretor da Cadeia Pública de Formosa foi transferido para o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (GO), segundo o major Anésio Barbosa da Cruz Júnior, superintendente de Segurança Prisional. "Ele está na Unidade de Segurança Máxima desde ontem", afirmou.O delegado disse que os presos beneficiados pelo "mensalão" serão processados sob acusação de corrupção passiva. Já as investigações policiais tentam conectar benefícios, como uso de telefones celulares e eventuais saídas de outros detentos da prisão, ao esquema que seria tocado por Souza. O diretor da cadeia é o terceiro deste ano envolvendo diretores de presídio no Estado. Outros dois, das Cadeias Públicas de Rio Verde e Jataí, foram acusados de corrupção ativa, porém, as denúncias não se confirmaram na Justiça pela ausência de provas consistentes.

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