Diretor de colégio no interior de SP é indiciado por pedofilia

Foram encontrados arquivos em notebook do diretor; escola é mantida por congregação da Igreja Católica

Jair Aceituno, especial para O Estado de S.Paulo

25 de março de 2009 | 15h03

O irmão Luiz Eduardo de Oliveira, diretor-geral do Colégio Cristo Rei de Marília, mantido pela congregação Irmãos do Sagrado Coração, da Igreja Católica, foi indiciado na terça-feira, 24, em inquérito por crime de pedofilia e, se condenado, poderá pegar até seis anos de prisão em regime fechado. O religioso é acusado de fazer-se passar por uma adolescente de 15 anos, e através da conversa virtual, pela internet, induzir uma menina de 12 anos, residente em Americana (SP), a tirar a roupa por cinco vezes e expor seu corpo na webcam. 

 

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O crime ocorreu em julho de 2007. A mãe da garota de 12 anos interceptou suas conversas com a "coleguinha" e estranhou seu questionamento sobre a formação do corpo. Ficou no lugar da filha e manteve a conversa, até descobrir que o interlocutor não se tratava de uma adolescente e, provavelmente, seria um homem adulto. Acionada, a polícia de Americana abriu investigações e o rastreio das comunicações levou ao notebook instalado na sala de direção do tradicional colégio católico de Marília, distante 330 quilômetros de Americana.

 

Acionada, a Delegacia da Mulher de Marília foi até o colégio e apreendeu o equipamento. Na oportunidade, o diretor disse tratar-se de um computador de sua propriedade e uso pessoal. A pericia recuperou 28 mil arquivos deletados, entre eles 40 fotos de adolescentes com idades de 12 a 15 anos. Mas não achou fotos da menina de Americana. Uma verificação, no entanto, constatou a conexão entre os dois computadores - o do diretor e o da vítima -, dando materialidade à denúncia.

 

Além do indiciamento, o delegado Celso Antonio Borlina, da Delegacia da Mulher, pediu a prisão preventiva do indiciado, mas a medida foi negada pelo juiz Décio Devanir Mazetto, da 3ª Vara Criminal de Marília, que a considerou desnecessária.

 

Chamado a depor, Luiz Eduardo mudou aquilo que havia dito por ocasião da apreensão do notebook. Segundo sua nova versão, o aparelho era utilizado por cinco pessoas, servia a trabalhos administrativos da escola e teria sido invadido por algum "hacker". A invasão foi desmentida tecnicamente - informa o delegado Borlina.

 

Assessores do acusado disseram que ele está participando de um congresso estudantil e saem em sua defesa. Seu advogado, Rubens Franklin, afirma que ele será absolvido e alega questões éticas para não comentar o processo que, segundo adverte, corre em segredo de Justiça.

 

Fundado em 1957, o Colégio Cristo Rei é uma escola de alto nível. Foi a segunda do Brasil a obter a certificação ISO 9001 e a primeira a conseguido o ISO 14001. Possui atualmente 1.500 alunos com idades entre 3 e 17 anos, 65 professores e 70 funcionários. A maioria dos alunos vem de famílias de alto poder aquisitivo.

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