'Diretor de furacões' dos EUA diz temer pelo Haiti

O diretor do Centro Nacional de Furacões dos EUA, Bill Read, disse na terça-feira que o Haiti, devastado por um terremoto em janeiro, é a sua maior preocupação na temporada de furacões que está prestes a começar.

TOM BROWN, REUTERS

26 de maio de 2010 | 09h51

Sobre o vazamento de petróleo no golfo do México, ele disse que furacões poderiam paralisar as atividades de limpeza e levar mais óleo para a costa, mas que não se sabe muito sobre como o óleo interage com a água e as tempestades.

"É um território não-mapeado. Não é algo que já tenha acontecido antes", disse Read. "As teorias estão por todo o planeta", afirmou ele, referindo-se a ideias como a de que a película de petróleo sobre o golfo do México na verdade impediria que as tempestades ganhassem força.

Read disse que o Centro Nacional de Furacões, com sede em Miami, vai se empenhar em alertar sobre a chegada de tempestades às equipes envolvidas na contenção do óleo.

"A primeira coisa será paralisar as operações perigosas", afirmou.

A temporada oficial de furacões no Atlântico começa em 1o de junho, e Read, um experiente meteorologista de 60 anos, disse que alterações nos padrões climáticos ameaçam fazer de 2010 um ano com mais tempestades tropicais do que o normal no Caribe.

Ele se referia a modelos meteorológicos que dão uma "alta probabilidade" de formação do fenômeno La Niña durante o auge da temporada de furacões deste ano.

Apesar do atual foco na mancha de petróleo do Golfo, Read disse que sua "preocupação número um neste ano" é o Haiti, onde 300 mil pessoas morreram num terremoto em janeiro. "Temos potencial para outra catástrofe lá", disse ele.

Inundações repentinas têm um potencial particularmente letal na empobrecida nação caribenha, cujo terreno ficou vulnerável após séculos de desmatamento.

"Essa é a minha aposta sobre a real ameaça para esta temporada", disse Read, que concedeu entrevista durante uma conferência anual sobre furacões na Flórida.

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