Diretor de presídio em Mato Grosso do Sul é assassinado

Ele estava a frente da cadeia de Ponta Porã havia 7 meses; PM suspeita que 5 pessoas estejam envolvidas

Solange Spigliatti e José Maria Tomazela, estadao.com.br e O Estado de S.Paulo

26 Julho 2008 | 14h40

O diretor do presídio de Ponta Porã (MS), Walter Avelino, de 42 anos, foi assassinado na sexta-feira, 25, em uma lanchonete na periferia da cidade, que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, a 334 quilômetros de Campo Grande. Segundo informações de agentes do presídio, o crime aconteceu por volta de 21 horas. Pelo menos cinco pessoas estariam envolvidas no assassinato, segundo a Polícia Militar do Estado.  Dois homens estavam em uma motocicleta e outros três em um Vectra, veículos com placas brasileiras. Avelino foi abordado quando estava num bar na Vila Áurea, bairro onde morava. Ele conversava com amigos na cozinha, quando os dois ocupantes da moto, uma Twister de cor preta, entraram no bar para comprar cigarros. Um deles teria sido reconhecido pelo diretor, que o chamou pelo nome. O homem caminhou em direção a Avelino e conversava com ele, quando seus acompanhantes entraram atirando. O diretor penitenciário foi atingido no tórax. Os atiradores fugiram na moto e, segundo testemunhas, tiveram cobertura dos homens do Vectra de cor branca. Mesmo baleado, Avelino chegou a correr, mas caiu no quintal de uma casa vizinha. Levado ao Hospital Regional, não resistiu. Avelino dirigia havia sete meses o Estabelecimento Penal Ricardo Brandão, em Ponta Porã. Uma equipe de policiais da agência que administra o sistema penitenciário do Estado deslocou-se para a região a fim de auxiliar nas investigações. Na mesma noite, um foragido do presídio, Wagner Leandro Leite dos Santos, foi encontrado morto com tiros de escopeta na cidade, mas a polícia não vê relação entre os casos. Um possível envolvimento de Avelino em negócios com terras na região não foi confirmado pela PM. Investigações A Polícia Civil diz ter identificado o homem que conversava com o diretor do presídio, quando ele foi assassinado. A identidade do acusado não foi divulgada, mas ele foi reconhecido por testemunhas do crime. De acordo com os policiais, o suspeito já foi preso por tráfico de drogas e pode ter ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a facção que atua nos presídios paulistas. O autor do disparo que matou Avelino, um homem encapuzado, ainda não foi identificado. Os cinco homens que teriam participado do crime podem ter se refugiado no Paraguai - apenas uma avenida divide Ponta Porã da cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero. A polícia brasileira vai pedir ajuda à Polícia Nacional do Paraguai na tentativa de prender os suspeitos.

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