Diretor executivo do Greenpeace é libertado

Kumi Naidoo invadiu uma plataforma de petróleo no Ártico para protestar e acabou preso por 4 dias na Groenlândia

Afra Balazina, O Estado de S.Paulo

23 Junho 2011 | 00h00

A 120 quilômetros da costa da Groenlândia, no Oceano Ártico, ele escalou, sob jatos de água gelada, uma escada com cerca de 30 metros para protestar dentro da plataforma de petróleo da Cairn Energy. O sul-africano Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace Internacional, queria pedir à empresa que suspendesse as perfurações na região e evitasse um acidente como o do Golfo do México, numa área bastante sensível ambientalmente.

Acabou preso e indiciado por invasão. Após quatro dias detido na Groenlândia, foi deportado - e por um ano não poderá voltar para lá. Passou mais uma noite preso em Copenhague (pois já estava muito tarde para conseguir um voo) e ganhou a liberdade ontem pela manhã em Amsterdã, na Holanda, onde fica a sede da ONG.

Em entrevista por telefone ao Estado, ele contou ter recebido um "tratamento justo" na prisão. Geralmente, é outra ONG, a Sea Shepherd, que protagoniza cenas fortes no mar. Depois de colidir com um baleeiro japonês durante campanha contra a caça de baleias, um navio da Sea Shepherd afundou em 2010, mas os ativistas foram resgatados.

Naidoo, porém, diz não ter corrido risco de morte. "A água que jogavam para impedir nossa escalada até a plataforma era congelante, ainda mais para uma pessoa como eu, que vem da África. Mas o (ativista) Ulvar Arnkvaern, que estava comigo, sabia como era mais seguro subir." Vídeos que mostram a ação podem ser conferidos na internet (greenpeace.org).

Ele afirmou que foi feito um protesto também em Edimburgo, na Escócia, cidade que abriga a Cairn Energy. Mas para o grupo isso não foi suficiente. Naidoo recorda que o Greenpeace recebeu inspiração da sociedade religiosa quacre para "testemunhar" - e, assim, levar as pessoas a emitir um juízo moral sobre determinados eventos. "Aquela era uma cena de crime ambiental que precisávamos testemunhar. Agora, podemos contar ao mundo o que está acontecendo. E as pessoas devem escolher se vão agir contra isso."

Apesar de não ter atingido o objetivo principal de parar a exploração de petróleo no Ártico, ele diz que o protesto pacífico já proporcionou resultados positivos. "Fiquei emocionado com todo o apoio que recebi. E chegamos mais perto do objetivo. A ação trouxe provocou um debate", disse.

Gripado e com febre, ele decidiu adiar uma viagem que faria para a Indonésia e vai seguir a recomendação médica de descansar. Mas isso não significa desistir da meta: ele lembra que houve êxito na Antártida, onde a exploração dos recursos minerais foi proibida por tratado até 2048.

PARA ENTENDER

Pesca e clima estão em risco

A perfuração na região do Ártico pode causar o derramamento de produtos químicos no mar e é uma ameaça à pesca da Groenlândia, que representa 88% da economia de exportação da ilha. E o uso do petróleo causa emissões de gases-estufa que provocam aquecimento global e aumento no nível do mar, que afetam todo o planeta.

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