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Diretora diz não saber sobre apologia antes de denúncia

A diretora da Escola Estadual João Octávio dos Santos, Maria Madalena de Almeida Seralva, disse à polícia em Santos (SP) que não sabia que o professor de matemática Lívio Celso Pini tinha aplicado problemas aos alunos com temas relacionados à criminalidade. Em depoimento prestado na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) hoje, a diretora afirmou que só tomou conhecimento do fato na última quarta-feira, 16, quando foi procurada pela família de uma estudante da escola, que fica no morro do São Bento. Pini ainda não foi encontrado pela polícia para receber a intimação e prestar depoimento.

REJANE LIMA, Agência Estado

21 de fevereiro de 2011 | 18h37

A DISE instaurou inquérito para apurar se Pini cometeu "apologia ao crime" ao aplicar a uma turma do 1º ano do Ensino Médio um exercício com seis questões que citam temas como tráfico de entorpecentes, prostituição, roubo de veículos, assassinato e uso de armas de fogo. Nas questões, o professor pergunta, por exemplo, qual a quantidade de pó de giz que um traficante deverá misturar para ganhar 20% na venda de 200 gramas de heroína ou quantos clientes cada prostituta deverá atender para que o cafetão compre uma dose diária de crack.

"Quando foi levado ao conhecimento dela, ela se dirigiu a Delegacia de Ensino em que foram tomadas as medidas possíveis. Ela não tem conhecimento que isso foi feito anteriormente, só a partir desse dia que ela tomou conhecimento", disse o advogado da diretora, Thiago Serralva Huber. Segundo ele, Maria Madalena não opinou sobre o fato de o professor ter aplicados tais questões à classe. "Ela não tem ainda quais foram os objetivos que o professor fez ao colocar essas questões, então ela não pode criar um juízo de valor e julgar o professor sem que ele se defenda anteriormente", afirmou o advogado.

De acordo com o Delegado Titular da DISE de Santos, Francisco Garrido Fernandes, a diretora afirmou em depoimento que "não teve tempo hábil" de conversar com o professor e saber os motivos que o levaram a aplicar tais questões à turma. "Ele vai ser chamado nos próximos dias para ver justamente as informações que ele tem a oferecer sobre os fatos. Os policiais já foram algumas vezes na casa dele e não conseguiram encontrá-lo, mas eu tenho certeza que essa semana ele vai comparecer", disse o delegado.

A Secretaria Estadual de Educação determinou o afastamento do docente por 120 dias e a instauração de procedimento preliminar para apuração de responsabilidades. Mas, segundo o delegado, a diretora informou que o professor também pediu afastamento médico paralelamente. "Ele teve um problema emocional depois disso". O professor Pini leciona há cinco anos na Escola Estadual João Octávio dos Santos, foi vice-diretor em 2009 e atualmente exercia o cargo de Coordenador da Oficina Pedagógica da Delegacia Regional de Ensino.

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