Diretores brasileiros aprendem a partir do erro e acerto

A maior parte dos gestores recebem capacitação após assumir a função e com conteúdo inapropriado

O Estado de S.Paulo

21 Maio 2012 | 03h05

Ana Paula Tavares dirige a Escola Municipal Sara Tineue, em Taboão da Serra, desde o ano de 2008. Antes havia sido professora de ensino infantil e do ensino fundamental e, por último, coordenadora pedagógica.

Ela assumiu o cargo depois de ter sido eleita pelo Conselho de Escola, órgão que reúne alunos, pais e professores. No currículo, licenciatura em Matemática e graduação em Pedagogia, mas nenhum curso de formação específica para a função.

"Foi bem difícil, porque eu fazia do jeito que eu achava que daria certo. Às vezes acertava, em outras não", diz.

Ana Paula é um exemplo do que acontece com a maioria dos diretores brasileiros: eles aprendem a trabalhar em serviço. Independentemente de terem sido nomeados pela secretaria (indicação política), aprovados em concurso público ou eleitos pela comunidade acadêmica, a estreia na direção é feita sem fomação prévia para o cargo.

É só no decorrer do tempo que a formação é oferecida. Uma pesquisa apresentada no ano passado pela Fundação Victor Civita mapeou as práticas de capacitação de diretores em 24 secretarias estaduais e 11 municipais. O levantemanto mostrou que 90% das secretarias disseram oferecer cursos de formação continuada em gestão escolar.

Os diretores que participaram dos grupos focais do estudo, no entanto, disseram que muitas dessas capacitações correspondem apenas à realização de comunicação de normas, regulamentos, procedimentos administrativos e escolares.

Segundo eles, mesmo quando o conteúdo tem relação com a aprendizagem, há uma dissociação entre teoria e prática. "A formação ainda é muito diferente dos desafios que eles enfrentam. Não dá para esperar que tudo dependa do esforço heroico. O desafio da rede é criar condições para que todas as escolas tenham profisionais qualificados para essa gestão tão complexa", diz Patrícia Guedes, especialista em gestão educacional da Fundação Itaú Social.

Diversificação. Essa formação, segundo Patrícia, deve ser contínua e atuar com estratégias variadas, com cursos, oficinas, residências, tutorias, redes colaborativas e formação para diretores mentores.

"Já há algumas iniciativas isoladas no País, mas um trabalho de forma sistêmica nenhuma secretaria ainda implantou"

Montar uma rede colaborativa com os ex-alunos é a próxima estratégia da Fundação Lemann que, em parceria com algumas secretarias paulistas, já formou mais de dois mil equipes gestoras.

Patrícia, a diretora de Ferraz de Vasconcelos, foi uma delas. Em 2010, ela e outros diretores de sua cidade fizeam a pós-graduação lato sensu, com 370 horas de carga horária, oferecida pela instituição aos diretores de escolas públicas de ensino fundamental. / O.B.

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