Discurso de rei da Romênia destaca divisões históricas

O ex-rei Miguel da Romênia fez nesta terça-feira seu primeiro discurso no Parlamento desde que comunistas apoiados pelos soviéticos o forçaram a abdicar do trono, há mais de 60 anos.

IOANA PATRAN E CAGE SAM, REUTERS

25 Outubro 2011 | 13h10

Apesar de pesquisas de opinião mostrarem que a maioria dos romenos não quer a monarquia de volta, líderes pós-comunistas tentam limitar a influência de Miguel, temendo que ele possa minar o poder deles se tiver uma plataforma.

"Não podemos ter um futuro sem respeitar o passado", disse Miguel, de 90 anos, a um Parlamento lotado no dia de seu aniversário.

"A coroa real não é um símbolo do passado, mas uma representação única da nossa independência, soberania e unidade", disse ele, que é o mais velho ex-monarca da Europa e um dos últimos chefes de Estado sobreviventes da 2a Guerra Mundial.

Parlamentares de todo o espectro político aplaudiram em pé o discurso do rei, que foi obrigado a deixar o trono em 1947. O discurso de Miguel foi proposto pelos liberais da oposição, mas os liberais-democratas (PDL) da situação foram contra.

"Uma vez que ele foi ungido rei da Romênia por Deus através da Igreja, ele é o nosso rei para a vida, não importa o que acontece no cenário político", disse Andrei Dinca, de 31 anos, um monarquista que tirou o dia de folga para assistir ao discurso.

"Eu não acho que o retorno da monarquia vai acontecer, mas isso não me impede de ter esperança. Está na nossa natureza manter a esperança mesmo contra todas as probabilidades", acrescentou.

O presidente Traian Basescu, que tem laços estreitos com o PDL, criticou o ex-rei por ter deixado o trono, descrevendo-o como "servo da Rússia". Basescu não compareceu ao discurso no Parlamento.

A Romênia é hoje membro da União Europeia.

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