Disfunção sexual pode levar a extinção de rinocerontes

Além da caça ilegal, problemas reprodutivos ameaçam a variedade de Bornéu

Agencia Estado

06 Julho 2007 | 16h18

A baixa densidade de espermatozóides e outros problemas reprodutivos estão impedindo a gravidez entre os rinocerontes da Malásia, fato que, especialistas dizem, pode acelerar a extinção da espécie. Especialistas reunidos nesta semana na ilha de Bornéu para discutir como salvar o paquiderme local disseram que uma grave ameaça - além da caça - é a incapacidade reprodutiva desses animais. "Talvez porque vivam em locais fragmentados, nas profundezas das selvas, eles raramente têm oportunidade de acasalar", disse Laurentius Ambu, subdiretor do Departamento de Vida Selvagem do Estado malaio de Sabah, à edição de quinta-feira, 5, do jornal New Straits Times. Mas os cientistas descobriram também que os rinocerontes machos têm escassez de espermatozóides, enquanto as fêmeas costumam sofrer de cistos em seus órgãos reprodutivos. "Isso é um mistério", afirmou ele. "Estamos curiosos por aprender mais." Ambu contou que as tentativas de promover o acasalamento em cativeiro fracassaram. "Vamos tentar ao máximo permitir que os rinocerontes procriem naturalmente", acrescentou. A entidade SOS Rhino afirmou que algumas fêmeas em cativeiro desenvolveram tumores de útero, impedindo a procriação. "É mais uma doença psicológica, devido a desequilíbrios de hormônios e estresse", disse à Reuters por telefone de Sabah o presidente da ONG, Nan Schaffer, especialista em psicologia reprodutiva. "Isso certamente interferiu na reprodução dos animais em cativeiro." As autoridades dizem haver entre 30 e 50 rinocerontes remanescentes nas densas florestas do Estado de Sabah, que fica em Bornéu. Os animais são tão reclusos que só no ano passado foram fotografados pela primeira vez. Em abril, a entidade ambiental WWF disse ter filmado o animal pela primeira vez. Cientistas consideram o rinoceronte de Bornéu como uma subespécie do rinoceronte de Sumatra. O chifre do rinoceronte, feito de fibras de queratina, mesma composição do cabelo, tem fama de afrodisíaco e é um ingrediente cobiçado na medicina asiática tradicional.

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