Dissidente chinês é favorito para o Prêmio Nobel da Paz

O dissidente chinês Liu Xiaobo é o favorito para vencer o Prêmio Nobel da Paz, de acordo com uma casa de apostas. O comitê do Nobel busca resgatar sua autoridade depois das críticas em 2009 por ter escolhido o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

WOJCIECH MOSKWA, REUTERS

29 de setembro de 2010 | 14h56

Pessoas que acompanham o Nobel afirmam que a decisão do ano passado de dar o prêmio a Obama menos de nove meses depois de ele ter assumido o poder provocou mais críticas do que o comitê do Nobel esperava e isso pode favorecer uma escolha "mais segura" em 2010.

O Prêmio Nobel da Paz será anunciado em Oslo no dia 8 de outubro.

"Tenho quase certeza de que eles (o comitê do Nobel) ficaram surpresos sobre como as críticas eram unilaterais", disse Kristian Berg Harpviken, diretor do think-tank PRIO em Oslo.

Os críticos afirmaram que Obama ganhou o Nobel enquanto presidente em guerra no Afeganistão e no Iraque, sem conquistas substanciais na política externa e depois de apenas expor sua opinião por um mundo livre de armas atômicas, mas sem implementar nada disso.

"Isso certamente os coloca numa posição onde eles têm de estar muito atentos aos riscos que um outro prêmio, criticado da mesma forma, traria à reputação do próprio prêmio Nobel da Paz", afirmou Harpviken.

Harpviken disse esperar um prêmio "mais tradicional" este ano, mas dado a alguém "no meio de um processo onde o Nobel possa fazer uma diferença".

Vaclav Havel, ex-presidente tcheco e dissidente anticomunista, afirmou na semana passada que era o momento de o comitê norueguês do Nobel voltar seus potentes holofotes para a China e dar a Liu o que muitos consideram a principal honraria do mundo.

"INCITANDO A SUBVERSÃO"

Poeta e professor de literatura, Liu tem a probabilidade de 6 para 1 de vencer o prêmio Nobel, segundo a casa de apostas PaddyPower.com.

No momento, ele cumpre uma sentença de 11 anos de prisão por "incitar a subversão ao poder do Estado" - após assinar um manifesto em 2008 que pedia uma reforma democrática na China.

"(O prêmio) sinalizaria a Liu e ao governo chinês que muitos dentro da China e ao redor do mundo estão solidários a ele e a sua visão decidida sobre liberdade e direitos humanos para 1,3 bilhão de pessoas da China", escreveram Havel e dois dissidentes da antiga Tchecoslováquia numa carta aberta.

A China advertiu a Noruega que as relações poderiam ser abaladas caso o comitê concedesse o prêmio a um dissidente chinês. O país também criticou duramente Oslo depois que o prêmio de 1989 foi dado ao líder espiritual do Tibete, Dalai Lama.

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