Dissidente cubano passa mal e é internado

Em greve de fome há 16 dias, Fariñas sofre choque hipoglicêmico

AFP, EFE E REUTERS, SANTA CLARA, CUBA, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2010 | 00h00

"ESTADO GRAVE" - Fariñas é levado a um hospital de Santa Clara pelo médico Ismel Iglesias: dissidente estava inconsciente e desidratado

O dissidente cubano Guillermo Fariñas, em greve de fome há 16 dias, foi internado ontem em um hospital de Santa Clara, 280 quilômetros ao leste de Havana, após sofrer seu segundo choque hipoglicêmico. Ele estaria em "estado grave". Na semana passada, Fariñas também foi hospitalizado depois de perder a consciência e dar sinais de desidratação.

Ontem, o jornalista e psicólogo perdeu a consciência por volta das 14 horas locais (16 horas de Brasília) e foi levado ao hospital por parentes e jornalistas que o visitavam no momento do colapso. Segundo o médico pessoal do opositor, Ismel Iglesias, Fariñas acordou ontem com seu estado de saúde "completamente deteriorado", com taquicardia e pressão baixa.

Momentos antes de Fariñas desmaiar, um grupo de médicos do sistema de saúde pública de Cuba visitou o dissidente e pediu que ele concordasse em ir, de ambulância, até uma clínica para que fizesse um check-up profissional.

O opositor, porém, agradeceu "o profissionalismo e a humanidade" dos médicos, mas insistiu em fazer os exames em sua casa. Fariñas reiterou que não abandonaria a greve de fome nem aceitaria ir para um hospital enquanto estivesse consciente. Os médicos aceitaram as condições e coletaram amostras no local, mas saíram antes de Fariñas desmaiar.

O dissidente começou seu protesto no dia 24 para pedir a libertação de 26 presos políticos que estão doentes. A greve de fome também é uma manifestação contra a morte de Orlando Zapata Tamayo, preso político que morreu após passar 85 dias em greve de fome.

Desde que começou o jejum, Fariñas já perdeu 13 quilos - há duas semanas, ele pesava 71 quilos e hoje está com 58 quilos. Essa é a 23ª greve de fome que o dissidente faz desde a década de 90, quando entrou para a oposição ao regime cubano. A mais famosa delas foi em 2006, quando decidiu protestar contra a censura à internet em Cuba e ficou quatro meses sem comer, mas recebendo soro.

CONDENAÇÃO

O Parlamento Europeu aprovou ontem uma resolução que condena Cuba pela "evitável" e "cruel" morte de Zapata no mês passado. O órgão também alertou para o possível "desfecho fatal" que a greve de fome de Fariñas pode ter. Os parlamentares ainda pediram que os demais dirigentes europeus intensifiquem as medidas para exigir a liberdade dos presos políticos cubanos.

O governo de Cuba rejeitou a condenação, afirmando que o relatório é um "ataque feroz" contra Havana e "oculta a realidade".

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