Dissidentes divulgam carta com apelo a presidente

Um grupo de dissidentes moderados cubanos pediu ontem ao presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que interceda pela libertação de mais de 20 presos políticos e, assim, evite a morte do jornalista opositor Guillermo Fariñas, que vem exigindo a medida por meio de uma greve de fome. "Acreditamos que o senhor pode interceder ante o governo de Cuba para pôr fim a uma situação que ofusca os esforços de criar uma autêntica comunidade de Estados latino-americanos e caribenhos centrada nos direitos de seus cidadãos", disseram os dissidentes em uma carta dirigida a Lula e entregue à imprensa.

Afp, O Estadao de S.Paulo

10 de março de 2010 | 00h00

Um funcionário do Palácio do Planalto afirmou ontem, anonimamente, que o presidente Lula não recebeu nenhuma carta de dissidentes cubanos, nem tem conhecimento de um pedido para que interceda pelos presos políticos em Cuba.

Fariñas, um psicólogo e jornalista de 48 anos, iniciou uma greve de fome em Santa Clara, 280 quilômetros a leste de Havana, em 24 de fevereiro, exigindo a libertação de 26 presos políticos cujo estado de saúde é delicado. O protesto começou um dia após a morte do preso político Orlando Zapata, depois de 85 dias de greve de fome.

A morte de Zapata ocorreu no mesmo dia em que Lula chegou a Havana para uma visita. Após pressões, o presidente lamentou a morte do preso político, mas não condenou a situação dos direitos humanos na ilha e foi criticado pela imprensa brasileira.

Dias antes da visita de Lula, dissidentes também haviam divulgado uma carta pedindo a intervenção de Lula para obter a libertação dos presos políticos e impedir a morte de Zapata. Na ocasião, o presidente brasileiro disse que não havia recebido nenhuma carta e se os dissidentes queriam que ela chegasse a suas mãos deveriam ter encaminhado o documento a ele protocolado.

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