Dissidentes do MST invadem 15 fazendas no Pontal-SP

Grupos ligados a José Rainha Júnior, líder dissidente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), invadiram 15 fazendas entre a noite de ontem e a manhã de hoje no Pontal do Paranapanema e região da Alta Paulista, no oeste do Estado de São Paulo. A ação, denominada "inverno quente", foi um protesto contra o governo estadual pela "paralisia" da reforma agrária na região, segundo Rainha. Foram mobilizados 1.500 militantes nas ações realizadas em nove municípios.

JOSÉ MARIA TOMAZELA, Agencia Estado

28 de junho de 2009 | 17h12

De acordo com o líder, nove das fazendas ocupadas estão em áreas já declaradas como devolutas por sentença judicial. As outras seis são terras consideradas improdutivas em vistorias realizadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "Durante o ''inverno quente'' do ano passado, executamos ocupações pacíficas de terras para despertar o governo de José Serra do seu marasmo, mas nada foi feito em favor dos milhares de trabalhadores acampados", disse Rainha.

Foram invadidas as fazendas Beira Rio, em Teodoro Sampaio; Santa Isabel II, em Mirante do Paranapanema; Guarani e São Luis, em Presidente Bernardes; São Pedro, Santo Antonio e Alvorada, em Presidente Epitácio; Campina, em Caiuá; Tânia, em Martinópolis; Santa Maria, em Rancharia; Nossa Senhora de Lourdes, em Junqueirópolis; e Santo Antonio, Vista Alegre, Cobra e Maria Elisa, em Dracena.

A fazenda Campina, invadida sábado, foi desocupada na manhã de hoje. De acordo com o líder Sérgio Pantaleão, os sem-terra teriam sido ameaçados por empregados da fazenda e preferiram sair para evitar um confronto. "As ocupações são pacíficas", disse. A fazenda de Rancharia, segundo ele, foi considerada improdutiva há dez anos, mas não foi destinada à reforma agrária porque um deputado estadual do PMDB se apossou da área. "Ele mantém gado e funcionários como se a fazenda fosse sua."

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