Distúrbios matam mais 5 na Tunísia, dizem testemunhas

Cinco pessoas morreram em novos confrontos na quarta-feira na Tunísia, segundo testemunhas, e manifestantes desafiaram o toque de recolher e enfrentaram a polícia na capital do país.

TAREK AMARA, REUTERS

12 de janeiro de 2011 | 20h20

Diante da pior onda de distúrbios em seus 23 anos de governo, o presidente Zine el-Abidine Ben Ali ofereceu um gesto conciliador ao demitir seu ministro do Interior e libertar manifestantes presos. Mas as medidas não bastaram para conter a violência.

Participantes dos protestos se dizem indignados com o desemprego, a corrupção e a repressão do governo. Autoridades dizem, porém, que manifestações pacíficas acabaram sendo dominadas por uma minoria de extremistas violentos.

Houve protestos em várias cidades do interior do país africano, segundo testemunhas. Em Gassrine, a cerca de 200 quilômetros da capital, milhares de pessoas gritavam "Fora Ben Ali."

Em Douz, cidade no deserto do Saara, três testemunhas disseram à Reuters que pelo menos quatro pessoas foram mortas pela polícia, inclusive um professor universitário.

Duas testemunhas relataram à Reuters que na cidade de Thala, cenário de tiroteios com mortes no fim de semana, policiais usaram gás lacrimogêneo para tentar dispersar uma multidão e que, sem terem sucesso, abriram fogo matando Wajdi Sayhi, de 23 anos. Ramzi Sayhi, irmão da vítima, disse que o rapaz era surdo.

"A polícia lhe disse para ir para casa, mas ele não ouviu nada e atiraram nele", relatou Ramzi por telefone à Reuters. "Eles (autoridades) nos fizeram seguidas promessas, e agora nos prometeram a morte."

As autoridades não responderam aos telefonemas da Reuters para comentar os relatos das testemunhas sobre as mortes. O governo diz que a polícia só atira em legítima defesa, quando manifestantes violentos os atacam com paus e bombas incendiárias.

Alguns analistas dizem que o governo tunisiano provavelmente será capaz de controlar os distúrbios, mas que em mais longo prazo Ben Ali poderá se ver enfraquecido.

Somando-se à crescente pressão internacional sobre a Tunísia por causa da repressão aos protestos, a União Europeia, principal parceira comercial do país, disse que a violência é inaceitável.

"Não podemos aceitar o uso desproporcional da força por parte da polícia contra manifestantes pacíficos", disse Maja Kocijancic, porta-voz da chefe de diplomacia da UE, Catherine Ashton.

Os protestos, entrando agora na quarta semana, estão sendo atentamente monitorados por outros países do mundo árabe onde há potencial para turbulência social.

O governo declarou toque de recolher em Túnis e arredores das 20h às 6h.

(Reportagem adicional de David Brunnstrom, em Bruxelas)

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