Distúrbios se espalham e presidente faz concessões na Tunísia

O presidente tunisiano, Zine al Abidine Ben Ali, que enfrenta a pior onda de protestos em seus 23 anos de governo, disse que não vai concorrer novamente ao cargo quando seu mandato terminar, em 2014.

TAREK AMARA, REUTERS

13 de janeiro de 2011 | 20h29

Ele também determinou que as forças de segurança parem de usar armas de fogo contra manifestantes, e prometeu que os preços do açúcar, do leite e do pão serão reduzidos.

Ben Ali fez um pronunciamento à nação enquanto os distúrbios continuavam se espalhando pelo país norte-africano, chegando inclusive ao centro da capital.

Dois jovens morreram baleados em confrontos com a polícia em Sliman, cerca de 40 quilômetros ao sul de Túnis, disseram testemunhas à Reuters. No centro de Túnis, pelo menos cinco pessoas ficaram feridas a tiros.

Os manifestantes dizem protestar conta o desemprego, a corrupção e a repressão governamental. Autoridades afirmam que uma minoria violenta se apossou das manifestações para tentar prejudicar o país.

Num emocionado discurso na tarde de quinta-feira, feito em um dialeto local, e não em árabe clássico, Ben Ali anunciou medidas para tentar controlar a situação.

"Entendo os tunisianos, entendo a suas reivindicações. Fico triste com o que está acontecendo agora, após 50 anos de serviço ao país, de serviço militar, de todos os diferentes cargos, de 23 anos da Presidência."

Ele disse que não pretende ser presidente vitalício e que não irá alterar a Constituição, que proíbe maiores de 75 anos de disputarem a Presidência.

Ben Ali está com 74 anos, e havia ampla expectativa de que promoveria uma reforma para poder concorrer a um novo mandato. Outra promessa de Ben Ali foi a de permitir a liberdade de imprensa.

Aparentemente, a iniciativa foi bem recebida. Depois do discurso, um repórter da Reuters viu pessoas cantando o hino nacional e carros buzinando nas ruas. No bairro de El Omran, mulheres foram às ruas, violando o cessar-fogo em vigor, gritando "Viva Ben Ali" e ululando.

A quinta-feira havia começado com o comércio fechado no centro de Túnis. Soldados armados, convocados para ajudar a polícia, montavam guarda diante de prédios públicos, junto a barreiras de arame farpado.

No bairro comercial de Lafayette, tiros foram ouvidos, e um repórter da Reuters viu pelo menos cinco feridos. "Houve um protesto, e a polícia usou gás lacrimogêneo e tiros para dispersar a multidão", disse uma testemunha em uma rua próxima.

(Reportagem adicional de Stephanie Nebehay, em Genebra; e de Sujata Rao, em Londres)

Tudo o que sabemos sobre:
TUNISIACRISE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.