Divã chega à TV

O casamento de Mercedes fracassou, mas ela não perdeu tempo: a personagem de Lilia Cabral é estrela de livro, peça e filme

Patrícia Villalba / RIO,

19 de fevereiro de 2011 | 16h00

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não é que Lilia Cabral precise reclamar da sorte – bons papéis não lhe faltam. Mas ela sabe o quanto é raro personagem incrível, das que fazem a plateia rir, chorar e refletir. E quando dessas aparece, há de se agarrá-la com unhas e dentes. Por isso, em resumo, é que a Mercedes de Divã não coube num livro e transbordou para uma peça de teatro, um filme e, agora, será a estrela de um seriado.

 

"Na verdade, quando li o livro (de Martha Medeiros, lançado em 2002) a ideia que me veio à cabeça foi ‘olha, isso daria um seriado’. Pensei na história de uma mulher que a cada episódio chegasse ao consultório de seu analista com uma questão", relembra a atriz, que recebeu o Estado em seu camarim no Projac. "Mas realizar um projeto na televisão é complicado, não depende só da gente, então eu fui fazer o que dependia só de mim – teatro."

 

Para realizar aquela primeira ideia, Lilia precisou antes levar 150 mil pessoas ao teatro em 2005 e mais 1,8 milhão de espectadores aos cinemas em 2009. Divã – a série, estreia na primeira semana de abril (leia reportagem na próxima página). Nesse meio-tempo ela, que nunca deixou dúvidas sobre seu talento, teve um salto profissional notável. Tornou-se produtora no teatro, protagonista no cinema e, no ano passado, até indicada ao Emmy Internacional ela foi (pela Tereza da novela Viver a Vida). Neste ano, além do seriado e da peça Maria do Caritó, em cartaz no Rio, ela será Griselda, protagonista de Fina Estampa, de Aguinaldo Silva, que substitui Insensato Coração em agosto. Sobre a personagem tão especial que, com seus ventos de mudança, abriu caminho para tudo isso, Lilia disse o que se lê a seguir.

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Aconteceu muita coisa na sua vida desde que você leu Divã. Agora, terá o seriado e ainda vai protagonizar uma novela das 9. Foi mesmo uma boa personagem que atravessou seu caminho ou algo mais aconteceu?

 

Pôxa, minha vida mudou mesmo...Na época, tinha muito livro de auto-ajuda, muita mulherada falando em livros e peças sobre relacionamentos. Mas quando li o Divã, percebi que era diferente. Acho que a gente está aqui feliz e, de repente, pode ir parar no (hospital) Barra D’Or porque fissurou o dedinho – numa fração de segundo tudo muda, e o Divã tinha esse componente, que faz parte da vida da gente. Houve essa mudança na minha vida porque acabei dando credibilidade a essas mulheres que ouviam através de mim pensamentos e histórias que elas vivem. E acho que foi essa credibilidade que fez com que eu galgasse coisas na minha vida profissional.

 

 

A Mercedes fez você se questionar mais, já que ela se questiona o tempo todo?

 

Eu já me questionei muito. Fiz análise 20 anos, desde que minha mãe morreu, em 1987. Tive síndrome do pânico, essas coisas que todo mundo tem. Mas é até engraçado porque quando acabaram as filmagens do Divã, eu deixei de fazer análise. Não porque eu parei de questionar, mas porque dei um tempo nos meus questionamentos.

 

 

A Mercedes é uma "mulher possível", como se diz. Você se inspirou em alguém real?

 

Daqui a pouco, eu vou começar a achar que a Mercedes sou eu! Quando fiz A Favorita (2008), caí na besteira de dizer que me inspirei na minha mãe. Olha, só faltou o espírito da minha mãe aparecer dizendo ‘por que você foi dizer isso?’. Na verdade, ela não apanhava do marido como a Catarina, só usava aquelas meias com chinelo... Você tem de buscar o personagem em você mesmo, não há inspiração. Temos uma cabeça cheia de gavetas, onde vamos guardando as referências. E o ator precisa ter coragem de abrir essas gavetas. Quando você fica procurando de onde tirar o personagem é porque não tem coragem de abrir suas gavetas. Mas eu não tenho medo nem pudor.

 

 

O que a indicação ao Emmy mudou na sua vida?

 

Nada! A única coisa que muda é você saber que está lá com aquela gente toda, e que gente do mundo inteiro te viu. Mas não é parâmetro para eu querer me destacar. Sei das minhas qualidades e do meu talento. Mas sei que é porque eu me dediquei, investi. Tem muita gente boa do meu lado, e tenho de lutar muito para continuar sendo admirada como atriz. Essas coisas somam na minha carreira, mas não é nada com que eu me deslumbre.

 

 

Não vou perguntar se você se sente um modelo, porque você é mesmo um modelo.

 

De jeito nenhum, ao contrário. Me sinto sempre responsável, porque acredito nas coisas que eu faço, mas não quero ser um modelo de nada. Quero mais é que no final do espetáculo as pessoas estejam lá para me cumprimentar, dizer o quanto gostaram da peça. Isso fortifica o ator. Mas ser modelo nem me passa pela cabeça.

 

 

Uma peça, um filme, um seriado. Acha que está pronta para se despedir da Mercedes ou ela ainda pode voltar?

 

Olha, desse jeito eu vou voltar pro divã... (risos) Acho que não estou pronta para me despedir, porque nem de novela a gente consegue se despedir. Logo vai para o Vale a Pena Ver de Novo, depois para o Viva... Você precisa ver como ando fazendo sucesso com a garotada por causa da reprise de Vale Tudo! Mas o oitavo episódio termina de um jeito que dá pra Mercedes voltar numa segunda temporada.

 

 

Você vê a Mercedes na linha evolutiva da Malu, de Malu Mulher?

 

Muito, você vai ver. Os episódios sempre terminam de um jeito "é pra frente que se anda". Ela é uma mulher contemporânea, sem dúvida. E também é uma evolução na maneira de se retratar a mulher separada na televisão, porque na época da Malu era um tabu falar sobre separação. Agora, pelo contrário, fala-se abertamente. Então, nossa questão era como escrever sobre essa mulher contemporânea. Porque se você fosse escrever muita seriedade, correria o risco do seriado não ser popular. O que se buscou foi como levar essas histórias que fazem parte do nosso cotidiano para a TV e fazer com que as pessoas gostassem de assistir, não porque é engraçado, mas por que essa mulher é acessível. É essa a evolução de uma história bem pensada para os dias de hoje.

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