DNA carrega mensagens criptografadas

Cientistas colocaram nomes e frases para diferenciar o material sintético do original

, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2010 | 00h00

O genoma sintético produzido pelos cientistas é muito parecido com o original da bactéria Mycoplasma mycoides. Mas não idêntico. Além de pequenas diferenças aleatórias que surgem no processo de duplicação do DNA, os pesquisadores embutiram no genoma uma série de "marcas d"água" moleculares, usadas para diferenciar o DNA sintético do material genético original.

E aproveitaram para se divertir um pouco no processo. As tais marcas foram "escritas" no alfabeto clássico do DNA, composto de quatro letras químicas: A, T, C e G (adenina, timina, citosina e guanina). Embutido nessas sequências, porém, estão mensagens criptografadas, usando um código que os cientistas inventaram para representar todas as letras do alfabeto romano.

As mensagens - que não interferem com o funcionamento da célula - incluem os nomes de vários colaboradores da pesquisa e três frase emblemáticas, como "Aquilo que não consigo construir, não consigo entender", do físico Richard Feynman.

Há também o endereço de um website secreto, que quem decifrar o código poderá usar para enviar um e-mail para a bactéria. Nas palavras de Venter, portanto, essa é também a "primeira bactéria com e-mail".

Preocupação. Outro fator embutido na pesquisa é o medo de que essa tecnologia seja usada por bioterroristas para produzir organismos patogênicos autorreplicantes. "Claramente essa tecnologia é uma "faca de dois gumes". Mas é difícil achar uma que não seja", disse Venter. Antes de publicar o trabalho na Science, a equipe discutiu os resultados com a Casa Branca e o Senado americano. / H.E.

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