Do bacuri a Chico Doceiro

Do bacuri a Chico Doceiro

Jornalista percorre 4 mil km de culinária brasileira para registrar receitas, ingredientes, tralhas e costumes de nosso patrimônio gastronômico. A viagem de cinco anos termina no livro ‘Sabor do Brasil’, que sai do forno para as livrarias

Olívia Fraga,

04 Abril 2012 | 21h01

A jornalista Alice Granato pescou, tocou boiada, mexeu doce em tacho de cobre, foi a feiras, mercados, vinícolas, bibliotecas. Visitou casas de farinha, a morada de Gilberto Freyre, o lugar onde vivia Câmara Cascudo.

Percorreu o longo caminho chamado Brasil. O resultado de cinco anos de trabalho e 4.200 quilômetros percorridos está no livro Sabor do Brasil, que acaba de chegar às livrarias pela Sextante Arte.

"Foi a editora que me fez a proposta. Aceitei de cara", conta Alice, que tocava o projeto na paralela de suas atividades como jornalista freelancer e produtora. "Todos tínhamos agendas complicadas - eu, o fotógrafo Sergio Pagano, os editores. Fizemos o livro com a calma que o Brasil merece."

A obra não se pretende enciclopédica ou generalista. Registra movimentos e culturas gastronômicas que, de uma forma ou de outra, são reconhecidos como patrimônio nacional - seja pela onipresença em meios de comunicação, nos bares da moda, na mesa dos migrantes e imigrantes que compõem a população dos grandes centros, no vocabulário popular.

Muito do que está ali não é novo para quem viaja ou lê sobre comida: o valor do livro está no corte e costura da história das gentes, dos personagens, do papel do ingrediente como símbolo que define o sabor de uma região. "Minha busca era pelos sabores. A valorização do patrimônio gastronômico brasileiro já tem um tempo, mas agora está mais evidente para o público", diz Alice.

O Norte, representado por Belém e Manaus, tem sabor de bacuri, de pirarucu, de açaí, de banana-pacová. Ele abre o livro e não sem razão - foi a primeira "viagem de reconhecimento" de Alice e Sergio Pagano em 2006, acompanhados de Paulo Martins (e, segundo ela, o maior celeiro de possibilidades da gastronomia nacional).

"A cozinha nortista é essencial, purista. É ao mesmo tempo uma cozinha que nasce experimental, permite inovações, releituras, porque está baseada no ingrediente. Não é à toa que hoje quase todo restaurante está fazendo ‘cozinha brasileira’ a partir de ingredientes amazônicos."

Receitas típicas e "interpretadas" compõem o final de cada capítulo. Alguns pratos que ilustram a publicação foram criados por Alex Atala, Edinho Engel, Beto Pimentel, Ana Bueno, Roberta Sudbrack, Claude Troisgros; outros, por artesãos incansáveis, como seu Chico Doceiro, de Tiradentes (MG).

SABOR DO BRASIL

Autora: Alice Granato

Editora: Sextante Artes

(344 págs., R$ 89,90, na

Livraria Cultura, tel. 3170-4033)

 

Lançamentos:

NEUE CUISINE

Autor: Kurt Gutenbrunner

Editora: Rizzoli New York

(224 págs., R$ 115,30, na

Livraria Cultura, tel. 3170-4033)

No livro, o chef austríaco Kurt Gutenbrunner, dono do restaurante NG-NY, explica o encontro marcante entre arte e comida vienenses no fim do século 19. Com receitas.

A DOCE VIDA NA ÚMBRIA

Autor: Marlena de Blasi

Editora: Sextante

(304 págs., R$ 25,40, na Livraria Saraiva, tel. 4003-3390)

Na "vida real", a autora percorre a Itália em excursões, à procura dos sabores italianos. O livro é um romance gastronômico autobiográfico sobre descobertas na Úmbria.

 

Mais conteúdo sobre:
Paladar

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